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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Há esperança?

Com o mesmo título desta, postei a minha última coluna, logo após o jogo do Coritiba contra o Grêmio. A diferença é que naquela a frase terminava com um ponto de afirmação e nesta com um de interrogação, tamanhas as dúvidas que o time trouxe após o empate em casa contra o Londrina e a derrota justa para o time semi-profissional (ou semiamador, como queriam), do Toledo.

E agora, temos ou não esperança de que 2016 será um ano melhor do que foram os três últimos?

Pensei, logo depois do jogo contra o Grêmio (precedido de um empate razoável contra o Internacional e de duas vitórias no campeonato estadual), que estaríamos no bom caminho, ainda que com a ressalva de que seria necessário aguardar o que o tempo diria.

Pois o que tivemos depois?

Um empate arrancado a fórceps contra o Londrina e uma derrota mais do que merecida contra o Toledo.

Dirão que o time do Londrina foi muito violento, é verdade. Mas de um lado a arbitragem foi eficiente para tentar reprimir, e de outro, quando um time é efetivamente bom passa por cima de qualquer adversário medíocre que queira compensar suas deficiências com o uso da força. A diferença estrutural e histórica entre os dois clubes não pode permitir que se considere normal um empate em casa do modo como ocorreu. Ah, e contra o Toledo o gramado estava ruim e fazia muito calor. Circunstâncias que se apresentaram somente para o nosso time?

Tropeços são normais, dirão. Sem dúvida. Um aqui outro ali sempre ocorrem. O Coritiba não está só nesse tipo de campanha como mostram resultados de outros campeonatos estaduais. O problema é como ocorreram esses tropeços, notadamente o do jogo contra o Toledo, quando o time do Coritiba mostrou falhas individuais da maioria dos atletas, evidente falta de entrosamento e ausência de qualquer jogada que permitisse crer que fosse objeto de treinamento. Isso é que preocupa.

A verdade é que, tal como o time, estou confuso. Não vou me aliar aos que desde já veem uma catástrofe para este ano. O time pode merecer algum crédito, mas por pouco tempo. Se logo ali não mostrar evolução e não despertar confiança, medidas fortes devem ser tomadas. Aguardemos um pouco.

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Falei antes em ausência de jogadas treinadas. E quanto à cobrança de faltas? Não fazemos gol desse modo – diretamente ou como consequência da jogada – desde o tempo do Alex (nem lembro quando foi). João Paulo, embora o escolhido, decididamente não sabe cobrar falta, nem sequer para pelo menos causar algum risco de gol.

O fato – ou o não fato – me faz lembrar o Zico, talvez o melhor cobrador de faltas que o futebol brasileiro já teve. Como ele mesmo relatou, todos os dias, ao final dos treinos, ficava treinando cobranças, mais de uma centena de vezes, até que se tornou o que foi. Será que alguém no elenco – afora o João Paulo – não faria esse sacrifício em benefício próprio e do clube? Quando a inspiração é pouca, é necessário compensá-la com transpiração.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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