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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Ingenuidade.

Ontem, contra o São Paulo, o Coritiba fez um primeiro tempo assustador pela fraqueza que o time demonstrou. Sem manter minimamente a bola, com falha da zaga no tento são-paulino, não chutou nenhuma vez a gol. Tomamos o que se convencionou “banho de bola”. Terminada a primeira etapa o sentimento que tínhamos era de que se nada fosse mudado teríamos uma merecida e acachapante derrota.

Mas o nosso treinador, em um lance de ousadia e coragem, mudou radicalmente o time e em especial o modo de jogar.

Tirou o Val, que nada jogava e pelo que tem mostrado está na hora de ser afastado, e tirou também o Tony Anderson que nem de longe parecia o jogador que nos encantou em algumas partidas. E com muita coragem e ousadia fez o time se tornar mais ofensivo jogando no antigo esquema 4-2-4. Foi o suficiente para buscar o empate e jogar melhor.

A defesa, que tinha falhado no primeiro tempo, tanto no gol como em uma oportunidade clara desperdiçada pelo São Paulo, na segunda etapa mostrou firmeza, inclusive o Henrique, que está sendo contestado às vezes com alguma razão, mas que na parte final do jogo foi um baluarte. E o Alex Muralha, outro que já foi contestado (em algumas ocasiões com razão), se mostrou estupendo em três defesas, em uma delas, quando tocou na bola que estava nos pés do atacante adversário, foi preciso de modo a não cometer pênalti.

Uma pena a queda de produção do Igor Paixão, que há alguns jogos não é mais o mesmo. O que terá acontecido? A possibilidade de ser negociado para o exterior afetou o seu equilíbrio mental? Se não voltar a jogar como vinha, dificilmente poderá ter o sonho de passar a receber em euros e o Coritiba também. Que não se repita o que aconteceu com o Rafhael Lucas, que o presidente Bacelar em precipitada afirmação declarou que não o negociaria nem por vinte milhões de euros. Aos poucos o Rafhael foi perdendo o futebol que mostrara no início do campeonato de 2015 e o Coritiba teve que emprestá-lo para clubes de menor expressão (Goiás, Mirassol, Inter de Lages e Paraná Clube) e rescindir o contrato em 2019. Os vinte milhões se tornaram zero.



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Um comentário para justificar o título da coluna. Alguém tem a ingenuidade de acreditar que o movimento de exaltação ao Rafinha no jogo contra o Botafogo, um dia antes de ele contestar o pedido do Coritiba para poder quitar a dívida com o Cerutti, foi algo inocente e sem reserva mental de quem o comandou? Foi no mínimo estranho, coincidente com a afirmação do presidente Juarez de que não disputaria a reeleição (acho que foi muito cedo para falar nisso, pois despertou os fracassados que querem voltar para a direção do clube). Não nasci ontem para acreditar que nesse mingau não tem caroço.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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