Insônia.
Foi um final de tarde e noite muito dolorido para a minha alma, a dor parecia física. O resultado foi que não consegui dormir antes de perto do amanhecer, pensando no jogo, na campanha do Coritiba e nos acontecimentos extracampo de ontem e dos últimos tempos.
Não bastasse a derrota, dois energúmenos invadiram o campo e outros do mesmo quilate atiraram copos nos jogadores do adversário, segundo a súmula do árbitro com líquido amarelo, um eufemismo para não dizer urina. A punição pela justiça desportiva é muito provável, praticamente certa, ainda mais considerando que pseudos torcedores já nos criaram sérios problemas (invasão de campo em 1989, quebra-quebra de uma turba em 2009, brigas nos estádios ou no entorno) e os antecedentes não são bons.
Foi pouco? Também perdemos o Diego Porfírio e o Warley por expulsão, este último provavelmente receberá pena severa pois atingiu fisicamente o árbitro, e ainda tivemos o Tony Anderson se somando aos lesionados não se sabe por quanto tempo.
E na minha insônia – quem tem sabe como aparecem sentimentos negativos – ainda lembrei dos últimos anos de maus resultados, da punição “transfer ban” e das grandes dificuldades que a direção encontrou e encontra para sanar um grande passivo financeiro.
Não bastasse, me veio à mente o fato de que o jovem Rafael Willian poderá ainda ser um bom goleiro, mas não é e não está pronto para jogar em competição da primeira divisão nacional. E o Muralha, bem o Muralha todos sabemos que é o autor de defesas dificílimas alternadas com falhas grotescas. Em verdade ainda não temos um goleiro confiável.
Enfim, uma noite em que bateu em mim um desânimo, quase depressão, sentimento que certamente superarei como já fiz muitas vezes, e que não me abaterá como coxa-branca que sou há mais de sessenta e cinco anos. Continuarei a torcer intensamente, a acompanhar o que se passa no clube, a me manter como associado e, dentro de minhas pequenas forças neste espaço, a ajudar o meu amado clube. Já estou no inverno da vida, mas ainda sonho em um dia rever o grande Coritiba que vivi por muito tempo.
Mas que tem sido difícil, isso tem.
(Perdoem o tom de desabafo, mas eu precisava desafogar esse sentimento)
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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