Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Jogou bem e jogou mal?


No futebol, vitória por 3 x 0 é inquestionável. Os gols podem ter saído por casualidade ou por sorte, o que não é o caso do jogo de ontem, mas não há como tirar o mérito de uma equipe que ganha por tal placar de um adversário em tese forte.

Leio e ouço algumas opiniões no sentido de que o Coritiba ganhou com folga do Paraná porque este jogou mal.

Será? E se os dois jogassem mal? Teríamos um jogo chato e um empate de 0x0, ou um dos dois poderia ter vencido através um único lance como o Paraná ganhou do Atlético.

Tenho que nem tanto ao mar e nem tanto à terra. O Paraná jogou mal, sem dúvida, mas muito da sua fraca atuação decorreu da excelente apresentação do Coritiba que não deixou o adversário “respirar” e que, se contou com algumas falhas defensivas do adversário, não teve o benefício da sorte, tanto que em menos de dez minutos dois gols ditos como “feitos” foram perdidos e depois duas bolas na trave tiraram do adversário o risco de sofrer uma goleada histórica.

Portanto, quando um time joga bem e não permite ao adversário jogar, este joga mal não porque estivesse sem inspiração, mas porque aquele não permitiu. O Coritiba alcançou a vitória por méritos próprios. Ponto.

Uma preocupação, porém. Será que jogamos mal contra o Toledo, Londrina, Rio Branco e o PSTC tão somente porque os salários estavam atrasados? O time tem potencial para se apresentar como ontem ou continuará alternando boas e más jornadas?

As duas perguntas, se merecerem resposta positiva, trazem preocupação.

A primeira, por mostrar que, ainda que não se possa exigir de um trabalhador que satisfaça ao empregador quando não está recebendo os salários, mostra que predomina o espírito mercantil no elenco. Compreende-se alguma insatisfação, afinal todos têm seus compromissos e necessidades, mas os jogadores do Coritiba deveriam se dar conta de que não estão sozinhos no cenário nacional, não só do futebol. Times com atraso em honrar a folha de pagamento são muitos, o desemprego está em alta, muitos empresas não conseguem pagar os salários em dia o mesmo ocorre com alguns Estados e muitos Municípios. Se o clube está passando por dificuldades financeiras qual seria a melhor forma de agir? Se rebelar, sem dúvida, mas não produzir mal propositadamente, pois esta atitude não é inteligente e leva a que o clube tenha menos sócios, menor arrecadação nos jogos e menor exposição na mídia, ou seja, menos dinheiro para pagar os salários em dia. Se o clube for bem isso se refletirá nas suas finanças e jamais poderá ter desculpas para deixar de honrar os salários em dia.

E a segunda resposta, se positiva, também preocupa. Qual o verdadeiro time do Coritiba, o que jogou mal contra aqueles times antes indicados ou o que se apresentou ontem? Não tenho segurança para dar uma resposta. Temos deficiências individuais no plantel e nosso técnico sem dúvida não é o dos sonhos para uma equipe que queira se destacar no plano do futebol nacional. Só o decurso do tempo dará as respostas. Aguardemos, sem nos iludir com o campeonato estadual, que é importante, sem dúvida, mas que não é teste absoluto para as futuras competições nacionais.

Para finalizar. Se vintém poupado é vintém ganho, o Coritiba ontem fez uma pequena economia. O fardamento do Wilson não precisará ser lavado.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (18)
Link copiado para a área de transferência