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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Lembranças coritibanas. A origem do nome “coxa-branca”.

Lembranças coritibanas. A origem do nome “coxa-branca”.


Continuando a aproveitar a paralisação do futebol para lembrar fatos históricos referentes ao Coritiba, registro a origem do nosso apelido, “coxa-branca”, talvez do conhecimento de muitos, mas não de todos.

Em um atletiba em 1941, o torcedor atleticano Jofre Cabral e Silva – que depois se tornou presidente do seu clube - passou a provocar o jogador do Coritiba, Hans Egon Breyer, alemão naturalizado brasileiro e que deixara o seu país de origem quando da primeira guerra mundial, chamando-o de “coxa-branca” e “quinta-coluna”. A provocação foi oportunística, pois embora o Brasil ainda não tivesse declarado guerra à Alemanha quando da Segunda Grande Guerra, a maioria da população era simpática aos aliados, adversários dos germânicos.

Pois Egon e o Coritiba não se deixaram abater e venceram o atletiba por 3 x 1. No início Egon teria ficado desgostoso com o apelido, pois indicaria não ter amor pela pátria que o adotara, tanto que em 1944 abandonou o futebol.

Na comemoração do campeonato de 1969, porém, a torcida do Coritiba, de forma inteligente, resolveu adotar o apelido, que os adversários pensavam que seria ofensivo, e hoje com muito orgulho somos os “coxas-brancas”, denominação que a esta altura pouco tem a ver com a participação de imigrantes germânicos na origem do clube, mas sim um modo carinhoso pelo qual nos tratamos. Referem os “Helênicos”, na excelente publicação “Eternos campeões” (cuja aquisição e leitura recomendo), que na época Egon afirmou em entrevista à revista Placar: “Quando vi a torcida gritar Coxa, tirei um peso das minhas costas e fiquei muito orgulhoso”.

O orgulho do Egon pelo cognome fez com que a denominação fosse gravada na lápide do seu túmulo, como mostra a foto.

Não sem razão a torcida canta: “Coxa, eu te amo!”.

Um parêntese: Embora dentre os fundadores do Coritiba muitos fossem de origem germânica, o nosso clube acolheu negros no seu time muito antes do rival. Em 1931 tivemos o Moacir, afrodescendente, e na mesma década um dirigente, oficial do exército, o tenente Aníbal. O nosso rival somente em 1962 teve o seu primeiro afrodescendente no elenco, o Amaury (outro dia eu conto melhor essa história).

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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