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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Lembranças coritibanas. Evangelino, o campeoníssimo.

Lembranças coritibanas. Evangelino, o campeoníssimo.
Na sucessão de gestões fracas ou pífias que o Coritiba sofre nos últimos anos – exceção feita aos dois primeiros anos da administração Vilson – sempre nos vem à lembrança o presidente dos tempos áureos do clube, o campeoníssimo Evangelino da Costa Neves.

Em 1966, vindo de Santos para Curitiba, assumiu o cargo de diretor de relações pública do nosso clube. Na época o Coritiba vivia anos difíceis, perdera o título de 1961 por decisão da justiça desportiva e desde então não fora mais campeão. O presidente era Lincoln Hey e ele, juntamente com vários nomes fortes do clube, viram no Evangelino o nome que poderia mudar os destinos do Coritiba. Lincoln Hey se licenciou e o “Chinês” foi alçado a um mandato-tampão na presidência, sendo depois eleito para o mandato 1967/1969, reelegendo-se ininterruptamente até 1979.

Já no primeiro ano, ainda que não conquistasse o título estadual, mostrou ao que veio, trazendo os times do Atlético de Madrid para um jogo amistoso, o qual vencemos por 3 x 2, e a seleção da Hungria, que no ano anterior tirara o Brasil da Copa do mundo, vencendo nossa seleção por 3 x 1. A mídia de todo o país veio para Curitiba e vencemos aos magiares com um gol antológico do Oromar, que driblou quase toda a defesa adversária, mostrando o Coritiba para o Brasil e o mundo.

A partir de então foi uma senda de sucessos, com os títulos estaduais de 1968, 1969, 1971, 1972, 1973, 1974, 1975, 1976, 1978 e 1979, com destaque, durante esse período, para a conquista do torneio do povo, campeonato de expressão nacional só inferior ao brasileiro, e a chegada às semifinais do campeonato brasileiro de 1979.

Deixou a direção de 1980 a 1981, sendo eleito mais uma vez em 1982 e permanecendo no cargo até 1987. Nesse mandato alcançou o campeonato estadual de 1986 e o inesquecível e máximo título de campeão brasileiro em 1985.

Nada menos do que onze títulos estaduais e dois nacionais em dois períodos de treze e seis anos, respectivamente, um recorde que acredito seja inigualável por qualquer dirigente.

Comentava-se na época, que os jogadores tinham grande admiração e afeto pelo presidente, o que os fazia defender o clube com muita disposição.

As conquistas no futebol não impediram que continuasse a reforma do estádio, iniciada na gestão de Arion Cornselsen, sendo o então Belfort Duarte considerado na época o terceiro melhor estádio particular do Brasil.

Retornou à presidência nas gestões 1992/1995, período em que não foi bem-sucedido, assim como ocorrera em 1986, mas isso nem de longe tisnou o seu sucesso anterior. Prefiro lembrar das conquistas e glórias. fracassos todos temos, o importante é o saldo.

Enfim amigos, uma belíssima história que nunca caberia no espaço de uma coluna. Ao Evangelino devemos muito. Ele, principalmente, e Couto Pereira e Arion Cornelsen foram dirigentes que levaram o Coritiba a um patamar então inigualável.

A coluna não é para lamentos, mas é impossível olhar para aquele período e não comparar com o atual. Será que um dia deixaremos de viver de saudades e o Coritiba voltará a ser o que já foi no cenário local e nacional?

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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