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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Lição sobre como não gostar de futebol.



O jogo de hoje, entre o Coritiba e o CRB de Alagoas foi um exemplo do que não deve ser o futebol. Dois times fracos, jogando de modo medíocre e decepcionante. Se hoje algum estrangeiro de país que não cultua o futebol, de passagem pelo Brasil, tivesse a ideia de conhecer o esporte, teria tido a sua única experiência, pois dificilmente voltaria a pretender assistir algum jogo dessa prática que tanto entusiasma os brasileiros.

Ficar na frente da TV assistindo ao jogo até o seu final foi tarefa apenas para torcedores muito fiéis, pois o denominado “espetáculo” foi deprimente. Imagino o sacrifício dos poucos que se aventuraram a ir ao estádio em noite fria e chuvosa e tiveram que torcer para que o jogo terminasse antes que o adversário conseguisse o empate.

Dois times cheios de quebradores de bola e com raríssimos lances que pudessem entusiasmar, no máximo o nosso gol, uma oportunidade com o Alecsandro (que fez com que finalmente víssemos que ele estava em campo) e a bola cabeceada na trave pelo adversário. E só. Ah, não, teve também o lateral cobrado pelo Leandro Silva para as próprias costas como lance emocionante.

Eu sei, a série B tem baixa qualificação técnica mesmo, dirão. Mas tão baixa como hoje? O que vi em outras disputas da segunda divisão normalmente foram jogos entre um time de mais qualidade e o de menor qualificação, aquele procurando impor o seu jogo e o segundo tentando sobreviver e talvez “achar” uma bola que levasse a um bom resultado. Dificilmente dois times quase iguais na mediocridade como nesta noite. Hoje era jogo entre o clube de maior expressão da série B, contra um dos de menor quilate. Imaginava-se que o clube de maior expressão tivesse o melhor time e se impusesse, mas o que se viu não foi isso e sim duas equipes que se equivaleram na má qualidade e o resultado positivo para nós foi injusto para com o CRB, merecedor de um empate.

Alguns dirão que o que vale é o resultado, que pior seria se tivéssemos perdido (seria um desastre), mas este consolo é cabível quando o time vem bem e em um outro jogo se conduz mal, mesmo assim obtendo sucesso. Como o Coritiba há algum tempo vem na toada de que o que vale é o resultado, nunca convencendo ao seu torcedor, não há como negar que continuamos com razão para nos preocupar e não ter confiança.

Porém,onsiderando que nunca a série B teve tantos clubes menos qualificados como neste ano, talvez consigamos retornar à série A. Mas não sem muito sofrimento, nem com confiança no time e menos ainda com perspectiva positiva para o futuro diante de um plantel onde raríssimos são os que se salvam.

Para não dizer que tudo foi negativo, o jovem Nhatan pareceu promissor, fazendo em quinze minutos mais do que muitos dos seus colegas em noventa.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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