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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Malandro é malandro, mané é mané.

O empate de ontem, contra o Bahia, foi um resultado indesejado, mas justo pelo que a equipes fizeram e deixaram de fazer. Ambas perderam gols, alguns por azar, outros pela boa atuação dos defensores adversários e outros por imperícia. Se nós tivemos clara oportunidade de marcar na última bola do jogo, os baianos a tiveram no penúltimo lance capital.

Enfim, o típico empate com sabor de empate.

Alguns fatores talvez possa explicar o mau resultado. Um sem dúvida foi má jornada do Galdezani, o que fez com que os baianos levassem a melhor na meia cancha (com ressalva para a boa jornada do Alan Santos). Outro fator se prende a uma sensível diferença entre o futebol do Willian Mateus e o do Thiago Carleto. E outro, para logo a seguir passar para o enfoque do título da coluna, o modo de jogar exageradamente lateral do Rildo, que atuou como os antigos ponteiros esquerdos, participando do jogo somente pelo seu setor, quando há muito o futebol exige envolvimento em diversos setores do campo.

Mas lamentavelmente o destaque da partida e que levou o Coritiba a ser objeto de comentários em todos os meios de comunicação esportivos (dando-lhes o que querem para bater em nós), foi o destempero do Kléber, que parecia ter voltado ao tempo em que mais se destacava pela deslealdade, o que se tinha como superado no Coritiba. Desde o inicio do jogo, sem qualquer clima quente que talvez explicasse a atitude, praticou faltas desnecessárias, graves e, repito desleais. Poderia ter sido expulso muito antes e nos levado à derrota se o árbitro visse o pênalti que cometeu.

Kléber tem sido um bom jogador, dedicado e com amor ao Coritiba e o episódio de ontem não apaga isso embora mereça reprovação. Na recaída talvez pensou estar sendo malandro, quando, na verdade, como diz o samba do Bezerra da Silva, comportou-se como um mané. Prejudicou a equipe e a si mesmo, pois não jogará contra o Corinthians, quando seria visto por todo o Brasil em partida fundamental.

Bem, agora é hora de o grupo - comissão técnica, jogadores e direção - tratar de fazer uma autocrítica e preparar o time para enfrentar o Corinthians. Espero que até domingo a barriguinha do Alecsandro diminua.

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O comentário do leitor.

O Coxanautas tem muitos leitores que comentam com propriedade textos dos colunistas, talvez mostrando vocação para a redação esportiva.

Tal como fiz quando em anterior fase do site, ao final dos meus textos vou passar a usar um tópico para transcrever o que alguns leitores dizem. Às vezes, se necessário, resumindo a opinião, para o que peço compreensão.

Começo com o que disse o leitor Tadeu A. (vou usar os nomes como se mostram, ainda que de alguns conheça o nome completo) sobre o incremento do plano de sócios tratado na coluna anterior:

“Temos que mudar a ´cultura` do torcedor Coxa, que oscila bastante em decorrência da performance da nossa equipe no campo de jogo. Qualquer percalço ou sequência de maus resultados, infelizmente, resulta no cancelamento do plano de sócio. Temos que ser mais ´europeus`, ou seja, continuando sócios, independentemente dos resultados. Isso, obviamente, não implica em leniência ou conivência com os eventuais erros ou desmandos perpetrados pelos dirigentes, que devem sempre ser cobrados, obviamente de forma ordeira e pacífica".

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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