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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Medalhões e homens.

O Coritiba tem que ser gerido dentro das suas forças, sem fazer loucuras em nome do marketing.


Há poucos dias foi notícia o abandono das negociações do Coritiba com o Miranda, afinal contratado pelo São Paulo, pois o sentimento mais forte da maioria dos humanos, o dinheiro, pesou e definiu a questão.

Sei que venho tratar do tema com atraso, mas desde então nenhum fato novo relevante apareceu para nos motivar a escrever.

Pois bem, estou entre os que não lamentam ocorrido. A vinda do Miranda, em que pese a sua notável qualificação, pouco somaria em um campeonato de segunda divisão, salvo quanto ao marketing do clube. Mas para um clube entregue aos atuais gestores com prejuízo e quase sem caixa, qualquer concessão financeira que o jogador fizesse ainda seria cara. Sem contar o risco de frequentes lesões que a idade propicia. Do mesmo modo seria com qualquer outro nome de destaque nas mesmas condições.

A nossa recente história mostra que a contratação dos denominados “medalhões” no mais das vezes foi muito onerosa e pouco resultado trouxe. Alecsandro e Anderson são exemplos marcantes. Sei que talvez provoque uma polêmica, mas também o retorno do Alex não foi uma boa relação entre o custo - se realmente não foi tão significativo como proclamado - e o beneficio, resultando apenas no título estadual de 2013 e participações no campeonato nacional que ficaram à beira do rebaixamento.

O Coritiba tem que ser gerido dentro das suas forças, sem fazer loucuras em nome do marketing. Deve investir na descoberta e formação de craques, o que resulta em real benefício tanto em campo como na questão financeira. Nem sempre as apostas feitas nesses dá certo, mas se obtiver algum percentual razoável de sucesso já será suficiente.

Espero que as contratações até agora feitas correspondam, pelo menos em sua maioria, e que a direção tenha observado, além da questão técnica, o caráter e a personalidade do contratado, ou, como pediu certa vez Telê Santana, que tenham sido contratados homens, ou seja, atletas que se doem e que não tenham vindo para ter o Coritiba como rito de passagem para outro clube ou descanso em final de carreira.

Com a suspensão do campeonato estadual, que a esta altura ao sei se não seria melhor cancelar neste ano, demoraremos um pouco para saber se o time foi bem montado, pois só resultados em campo podem mostrar. Vamos aguardar e confiar.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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