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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Meninos e homens.

Aproxima-se mais um atletiba, o maior clássico do futebol brasileiro. Maior sim, por que não? Outros movimentam e motivam tanto os torcedores paranaenses (refiro-me aos paranaenses de marca, que torcem pelos times do seu Estado) como o nosso clássico? Então para nós é, sim, o maior clássico do futebol nacional.

A história dos atletibas, em especial até os últimos anos. a partir de quando alguns passaram a desvalorizar o clássico, é muito rica. Vitórias expressivas que alegraram ambos os rivais, nós muito mais, os números estão aí, e derrotas amargas e às vezes inexplicáveis. Como esquecer a vitória de 3 x 0 sobre eles na baixada em 2011? Mas como esquecer também a vitória deles no então Belfort Duarte por 4 x 3, em 1971? Exemplos não faltam. Goleadas aplicadas e sofridas, gols onde mais parece que o sobrenatural agiu, brigas, erros de arbitragem, tudo faz parte do cardápio do clássico. Enfim, uma disputa que não permite passividade entre os torcedores. Em campo um equilíbrio no mais das vezes, mas nas estatísticas não, pois temos ampla vantagem.

Vamos para mais um clássico, desta vez, como a maioria deles, decisivo. Mas muito mais do que isso, um jogo para podermos sentir com que time podemos contar. O rival tem um time forte, não dá para negar, e os dois próximos jogos servirão não só para decidir quem avança para as finais do campeonato, como especialmente para mostrar quem tem um time que poderá corresponder nas competições nacionais.

Mas cabe lembrar que se a tática e a técnica são importantes, em atletiba fundamental é o comportamento dos jogadores. A disposição, o ânimo para vencer e a superação muitas vezes decidiram o clássico. É um jogo no qual se pode constatar a diferença entre meninos e homens. As vozes no vestiário são fundamentais. Liderança em campo – vejo essa qualidade no Henrique – também é importante. Tudo isso, claro, temperado com bom futebol, pois não se pode pretender que um time seja vencedor sem apresentar-se tecnicamente bem.

Vamos lá, Coritiba. Não estaremos fisicamente no estádio rival (não digo “do” rival, por razões que todos conhecem), mas através do rádio e da TV enviaremos nossas forças para vocês. Seremos uma só voz e uma só alma na quarta-feira.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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