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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Não culpem os jogadores.

Ontem, assistindo a mais uma pífia apresentação do time do Coritiba e lembrando as demais neste ano, assim como dos tantos comentários de leitores aqui e nas redes sociais, consolidei um pensamento que há muito me persegue.

Os jogadores são os menores culpados pelo mau futebol que têm mostrado.

É que são mesmo limitados e não há como exigir mais da maioria deles. É cansativo e repetitivo dizer, mas não há como tirar de atletas como, por exemplo, Tiago Lopes, Robson, Galdezani e Welissol mais do que não têm. Difícil crer que o Igor Jesus um dia deixará de ser permanente promessa que não se confirma. Esperança individual me parece que ter somente em um ou outro como no retorno do Nathan Ribeiro e a recuperação do futebol do Sabino, a confirmação do Giovani Augusto e do Kazu que ainda foram pouco testados (Yan Couto terá passagem curta). No mais, é um elenco desqualificado, com alguns poucos servindo somente para compor grupo.

Sei que alguns podem dizer que o Rafinha é uma exceção, e concordo, mas temos que lembrar que é veterano, sem condições físicas para uma extenuante temporada, e que também mais desponta pela comparação com o baixo nível dos seus parceiros.

No Direito há um instituto denominado “teoria da equivalência das condições”, que apura qual foi a causa determinante para o resultado. Não vou me estender a respeito, mas em resumo se trata de concluir sobre qual foi a causa sem a qual o resultado de dano não teria ocorrido. O presidente Samir Namur que, embora ao que eu saiba nunca tenha exercido cargo administrativo antes de assumir o Coritiba, é mestre e doutor em Direito Civil e deve conhecer melhor do que eu o instituto.

Tenho que no caso do Coritiba não é difícil a conclusão. A causa determinante dos consecutivos maus resultados do time nos últimos anos é a má gestão. Sem tantos erros na montagem da equipe, gestados pelo gerente de futebol com homologação da diretoria, certamente o Coritiba seria outro em campo se bem garimpados os atletas. Já vi alguns torcedores escusando a direção sob o argumento de que “não é o presidente que desperdiça pênalti”, “não é a direção que entrega gol ao adversário”, ”não é o dirigente que erra um gol feito”. Claro que não, de modo direto, isso ocorre nas melhores equipes. Mas não com a constância que acontece no Coritiba, de modo que a causa sem a qual isso não aconteceria com frequência está nos erros de quem escolheu o mau batedor de pênalti e os entregadores e perdedores de gol. Se alguém merece condenação pelos maus resultados, a causa sem a qual isso não ocorreria está bem mais acima dos atletas.


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Ainda sobre o nosso vexame na Copa do Brasil, nos últimos dias vimos avançar times como o Afogados de Ingazeira (eu nem sabia da sua existência), Brusque e o São José de Porto Alegre, que é praticamente um time de bairro como o Trieste ou o Operário Pilarzinho. Enquanto isso, o Coritiba...

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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