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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Não foi a melhor notícia do ano.

Finalmente o todo poderoso Rodrigo Pastana caiu, não sem antes minar os alicerces do clube com as suas contratações, na maioria pífias e incompreensíveis. Na relação do clube com ele pertinente era o ditado popular de que “o pior cego é o que não quer ver”.

Veio para o Coritiba com um histórico nada animador.

No Figueirense, em 2013, assumiu em setembro e com ele o clube subiu à primeira divisão, mas, o que parece uma constante em sua carreira, em agosto de 2014 foi demitido, deixando o time na lanterna do campeonato da série A (tal como sai agora).

No Bahia, em 2014, ficou apenas três meses, deixando o clube após sete derrotas consecutivas (nada diferente do que nos aconteceu) e na zona de rebaixamento.

No Ceará, em 2015, saiu com o clube sendo eliminado do campeonato estadual.

No Paraná Clube participou da subida do clube à série A de 2017, mas saiu no ano seguinte deixando a agremiação virtualmente rebaixada novamente para a série B (resultado para o qual estava nos encaminhando).

Teve sucesso na subida do Criciúma para a série A em 2013, mas caiu ainda durante o campeonato estadual.

Em suma, considerando somente dados objetivos, não é um profissional qualificado para qualquer clube da série A, nas poucas vezes que teve sucesso na montagem dos clubes que subiram, no ano seguinte foi um desastre.

E com um currículo desses foi não só escolhido como se tornou o todo poderoso no departamento de futebol do clube, contratando dezenas de atletas, a maioria deles sem qualificação técnica para jogar em clube da série A, quando, pelo mesmo valor, poderia contratar menor quantidade, mas com mais qualidade. Enfim, um fracassado que deixou o Coritiba em uma situação que levará tempo para recuperação.

Eu estou dentre os que debito menor responsabilidade ao treinador que sai. Errou muito, sim. O Coritiba, exceto no jogo contra o Bahia, sempre caiu muito de produção na segunda etapa, não sei se fruto da conversa do vestiário ou de má preparação física, mas também de substituições equivocadas como, por exemplo, a insistência com o uso do Welissol. A verdade é que mesmo com o elenco disponibilizado pelo Pastana talvez o técnico pudesse fazer melhor, mas daí teria que ser consciente das limitações do grupo. Mas sai também, até porque a forte ligação do diretor de futebol com o presidente talvez tenha influenciado a demissão em conjunto para atenuar um pouco a saída daquele. De qualquer modo, com os resultados a sua situação estava insustentável também.

Enfim, vamos partir do zero no campeonato depois de quatro rodadas, com nenhum ponto conquistado e apenas um gol marcado. Será uma tarefa muito difícil reerguer o time. Talvez alguém com o perfil do Jorginho, que de modo pragmático viu a carência do elenco e o fez jogar pelo que se diz “por uma bola”, de modo a que pelo menos nos mantenhamos da primeira divisão. Aguardemos, torcendo para que a direção saiba acertar pelo menos agora que a gestão se encaminha para o final.

Finalizo dizendo que não concordo com as manifestações nas redes sociais de alguns que dizem que o fato foi a melhor notícia do ano. Não, a melhor notícia do ano será a vitória da oposição na eleição de dezembro.

P.S. Para não dizer que não falei no jogo de ontem. A irresponsabilidade do limitado Yan Sasse merece punição. Afora a fraca qualificação, ainda prejudicou o time exigindo maior esforço dos que restaram em campo. Penso que deveria ser multado e afastado da equipe, ficando só mantendo a preparação física até que algum clube ingênuo o queira.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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