Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Não vai ser fácil.


Finalmente terminou um campeonato que para nós, coritibanos, foi um permanente suplício. Desde a primeira rodada tivemos fracassos consecutivos, com um ou outro respiro que parecia querer indicar que ressuscitaríamos, mas em vão. Nunca sofremos tanto na nossa história.

Daqui a alguns anos, quando alguém pesquisar sobre a história do Coritiba, ao verificar que fomos rebaixados observará que quando isso ocorreu o presidente era o Renato Follador e poderemos ter uma injustiça póstuma, pois nós, que vivemos tudo isso, sabemos que toda a mendicidade que nos atingiu desde 2018 foi fruto de uma gestão equivocadamente eleita e equivocadamente mantida. Teremos que estar atentos para sempre se lembrar do verdadeiro culpado maior que, na galeria de fotos dos ex-presidentes, deveria figurar com uma tarja preta.

Bem, mas agora pouco adianta lamentar, o importante é recomeçar bem.

E ontem vimos que isso não será muito fácil.

As promessas da base ainda pouco estão confirmando, necessitamos de outro goleiro, as demais posições todas têm que ser reforçadas e os inoperantes e desqualificados que compõem o elenco afastados definitivamente.

Já temos várias contratações, dadas como avaliadas cientificamente.Vamos esperar que confirmem em campo.

Entendo que a direção atual deve merecer todo o apoio, estão trabalhando e mostrando o resultado e o presidente está sendo muito feliz ao procurar levantar a autoestima da torcida, mas nem por isso fica imune a questionamentos. Afinal é da essência do futebol a diversidade de opiniões quando visam o bem do clube do coração.

E um dos questionamentos é a necessidade de buscar um goleiro que nos dê segurança e que possa disputar a posição com o Wilson em pé de igualdade ou até mesmo vir para ser titular, o que seria melhor, dado o mau histórico daquele. O jovem Arthur ainda não está maduro.

O outro se refere às contratações do Willian Farias e do Robinho. O primeiro é um jogador de muita luta e garra – o que atende ao sistema de bravura que o presidente quer implantar - mas é tecnicamente um pouco limitado. Jogou muito bem no Coritiba em 2011/2012, mas depois não foi o mesmo jogador, não se sabendo como está atualmente. Devemos supor que foi objeto de avaliação técnica e que terá êxito. Mas quanto ao Robinho não tenho a mesma avaliação e esperança. Sua passagem no Coritiba foi apenas razoável, enquanto no Cruzeiro e no Grêmio não só foi de razoável para ruim como com frequência foi afastado por lesões. Ao contrário do Willian Farias, nunca vi demonstrar que é mesmo coxa-branca. Neste eu não aposto.

Enfim amigos, vida nova está começando. Temos que ter paciência, mas no futebol ela nunca é permanente e incondicional. Vamos torcer pelo sucesso da nova direção, o que será o nosso sucesso. E pelo acerto das contratações e que alguns jovens da base confirmem o que deles se espera. Embora seja uma disputa hoje um pouco desmerecida, a prova da efetiva recuperação poderá ser a conquista do campeonato estadual.

Não vai ser fácil. Temos que ressurgir das cinzas e escombros. Mas tudo indica que estamos no melhor caminho. Aguardemos com esperança, embora sem afastar a crítica construtiva quando necessária.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (16)
Link copiado para a área de transferência