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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Nau sem rumo.



Mais uma vez, infelizmente, tenho que escrever sobre derrota do Coritiba e, o que é pior, sobre a falta de perspectiva de recuperação diante de um elenco fraco, técnico igualmente e diretoria omissa no tocante ao futebol, a razão de ser do clube.

Sim, o elenco do Coritiba é fraco. Mais fácil do que apontar os jogadores que são efetivamente qualificados e merecem usar da nossa camisa e podem nos dar alguma esperança é indicar os “bondes”, e aqui os amigos leitores poderão me contestar se não concordarem com algum que relacionei, mas muito mais contestarão por alguém que eu tenha deixado de fora. Mas daí talvez o espaço da coluna não fosse suficiente. Assim, procurando não fazer injustiça com aqueles que jogam mal por contaminados pela maioria do elenco, ou que ainda merecem melhor observação – caso do Dodô, por exemplo – penso que há unanimidade, senão aceitação de maioria bem expressiva, quanto a alguns.

Começo pelo João Paulo, cuja escalação permanente é um mistério (e ele ainda nem nos ajuda dificilmente sofrendo lesão ou suspensão). Não desarma bem, não protege a zaga, não sabe dar um passe para companheiro mesmo que bem próximo, perde bolas em lances fatais como ocorreu contra o Flamengo, não sabe cobrar escanteios, não sabe cobrar faltas embora saiba cometê-las. Prossigo, no mesmo setor do time, com o Edinho, jogador tosco e pesado. Alan Santos, talvez melhor do que aqueles, mas seguidamente incorpora pensamento de que seria craque procurando jogadas de efeito que a nada levam. Kazin parece que é mais marketing pessoal do que bom jogador. Para por aqui. A lista é grande e poderia continuar com os nomes do Felipe Amorim, do Vinicius, do Fábio Braga e de tantos outros, mas continuar a indica-los consumiria todo o meu espaço.

Prossigo pelo nosso treinador. Não sou dos que sistematicamente têm como primeiro culpado pela má campanha do time o treinador, ainda mais se contar ele com elenco tecnicamente carente. Mas, como todo o respeito ao passado do Pachequinho como jogador (mesmo que não tenha obtido nenhum título pelo Coritiba), penso que ele ainda está no estágio de aprendiz e não tem estofo para dirigir time da primeira divisão brasileira, e talvez nem da segunda. Tem muito que aprender.

Poderia falar da ineficiência do Pachequinho a partir dos gritantes erros de substituição, mas vou a um exemplo que prova que os fatos são os melhores argumentos. Nas nossas últimas quatro derrotas (Atlético MG, América, Flamengo e Vitória), o adversário alcançou o resultado na segunda etapa do jogo, duas delas em mais umas das tantas viradas de placar que sofremos. Isso mostra que, enquanto o treinador do adversário viu os nossos erros e ajustou o seu time para a continuação da partida, o nosso não soube ver o que ocorria, e se viu não soube adequar a forma de jogar do time. Precisa dizer mais?

Esta constatação dispensa outros argumentos, mas não custa observar ainda que o futebol paranaense vive quase que só da rivalidade entre os dois grandes da capital e as comparações são inafastáveis. Neste quesito estamos perdendo feio, pois enquanto o rival conta com um técnico consagrado e que está mostrando bom serviço, nós estamos sendo dirigidos por um simples aprendiz de treinador. A comparação torna mais gritante a diferença da realidade.

E ainda, para coroar os constantes desastres, contamos com uma diretoria silenciosa e que parece omissa, entregando a administração do futebol totalmente para empregados que mais têm comprometimento com os seus salários do que com o clube. O presidente Bacellar não fala, o vice Macedo quando o faz é para nos desanimar (mas quem sabe está sendo realista?) e um outro vice parece que ainda não conhece todas as dependências do Couto (desafio os leitores a dizer de pronto o seu nome). Deste rol eu só afastaria da responsabilidade, no momento, o vice Alceni que está com atividade direcionada para um provável novo estádio, o que é tarefa de muita responsabilidade, pois diretamente ligada ao futuro do clube, para o bem ou para o mal. Mas e os demais, onde estão, o que fazem, o que poderão fazer? Ninguém fala.

Sem elenco, sem treinador e com diretoria omissa nosso futuro é desalentador.



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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