Negócio da China
"Muito mal explicado.
Ontem veio a público a notícia de que o Coritiba teria contratado dois “atletas”, Ricardo Gomes Vilana e Dion Henrique, ambos já inscritos na CBF e com os nomes constando do BID, requisito formal necessário para que possam atuar por um clube de futebol no Brasil.
O primeiro, com trinta e quatro (34) anos de idade, sobre o qual não encontrei nenhuma outra referência no Google. O segundo – parece que é o gordinho na fotografia, um atleta de peso, enfim – também quase sem nenhuma referência na internet. E ambos foram dispensados pelo Mixto (é assim mesmo, com x) do Mato Grosso em janeiro deste ano. O Mixto, meus amigos! Time da série D do campeonato brasileiro! Não servem para o Mixto! O que dizer mais?
Em seguida, vendo a reação da torcida nas redes sociais, esta mesma torcida que está farta, desanimada e não longe da revolta, vem o clube publicar nota oficial afirmando que os “atletas”(?) estariam no clube apenas para um período de recuperação física e técnica (recuperar o que não têm?), em razão de uma parceria com o futebol chinês e que os contratos de ambos seriam 100% bancados ela parceria. O registro de ambos no BID seria para segurança do clube.
Perdoem-me os ilustres dirigentes do Coritiba, mas o fato está muito mal explicado.
Então o Coritiba é um clube de aluguel para o futebol chinês? Estamos nos equiparando a alguns clubes do interior que se prestam para que empresários os usem como vitrines para expor os seus atletas? Talvez nem isso, pois naqueles casos os empresários mostram jovens promessas e não veteranos já imprestáveis para outros clubes.
Curioso que os chineses, tão ciosos em proteger as suas economias, e que para tolos não servem, tenham interesse em dois se sedizentes atletas veteranos, dispensado de clube da quarta linha do futebol brasileiro, ao ponto de esperar que recuperem a forma física antes de eventual contratação.
Como assim registrar no BID quem busca apenas recuperação física? Que segurança é buscada? Não poderiam usar o clube sem registro? Expliquem, por favor, a estes pobres mortais torcedores que, não se esqueçam, são a razão de ser do clube.
Os contratos serão custeados pelos chineses,foi afirmado. Mas e o custo das instalações, equipamentos, alimentação, hospedagem e outros acessórios não sairão dos nossos minguados cofres? E se um dia houver um litígio com os atletas, não há dúvida de que a Justiça do Trabalho considerará o Coritiba como empregador responsável, e não os desconhecidos chineses.
E por que apresentá-los formalmente com a nossa honrada camisa, como se fossem integrar o elenco, com desmentido somente após reação dos torcedores? Se nos últimos tempos contratamos alguns atletas que não estão à altura de usar a nossa camisa, que dirá os indigitados, para os quais o clube parece estar servindo de “barriga de aluguel”.
Diante de tantas decepções que a torcida do Coritiba tem vivido nos últimos tempos, não merecia mais esta, já objeto de chacota por parte de torcedores de outros clubes nas redes sociais. Nossa gloriosa história, que cada vez fica mais remota, não poderia ser objeto de tal exposição.
Tudo muito mal explicado. E talvez difícil mesmo de explicação".
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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