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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Não acredito! De novo?

A expressão do título da coluna não é minha, foi do Pachequinho, segundo a repórter Nadja Mauad, quando o Fluminense fez o segundo gol.

Enquanto isso, de acordo com a mesma jornalista, o auxiliar técnico Márcio Goiano rezava de mãos postas, parecendo indicar que orar é o que restava.

Pois é, Pachequinho, nós também não acreditamos mais. Há pouco tempo nós pensamos que acreditávamos, mas na verdade, em razão da nossa carência, quisemos acreditar, ativando mecanismo psicológico de compensação. No fundo, lá no subconsciente, nós sabíamos que não era assim mas quisemos nos iludir, era bom.

Quisemos acreditar que tínhamos um elenco “farto de craques” e que iríamos disputar as primeiras posições no campeonato, como afirmou o presidente Bacellar, assim como na esperança do mesmo dirigente no sentido de que, ao contrário do ditado popular, o Pachequinho iria realizar milagres mesmo sendo santo de casa(aqui).

Quisemos acreditar que o objetivo do Pedroso, no sentido de que deveríamos lutar pelo segundo título nacional tinha fundamento (aqui). Não que ele estivesse errado em sonhar alto – todos devemos - mas escondemos de nós mesmos que o desejo pouco fundamento na realidade tinha e quisemos acreditar deixando longe da consciência a realidade.

E o que a realidade nos mostra agora? Desânimo e depressão e perda da esperança de alguma probabilidade de um ano melhor. Enfim, a repetição dos últimos sofridos anos.

Ainda há tempo para obter uma classificação honrosa – olha aí, já estou querendo acreditar, tamanho é o meu desespero – mas para isso há que pensar como Santo Agostinho: “A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem. A indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las”.

De qualquer modo, como parece que a direção ainda quer acreditar que tudo está bem, recomendo aos que creem que, enquanto esperam alguma ação positiva dela e do time, façam como o Márcio Goiano. Orem à espera de um milagre.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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