Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O carimbador e o mistério.



Ontem, contra o CRB, o Coritiba não fez uma boa partida. Diria quase boa e aceitável na primeira etapa, mas péssima na segunda, quando não jogou e não criou, no máximo destruiu até sofrer o gol de empate.

Poderão alguns dizer que o resultado não foi tão ruim assim, pois afinal nos mantivemos em segundo lugar e alcançamos dez partidas sem derrotas. Sim, sob esse olhar não teria sido um mau resultado, certo que, por melhores que sejam, todos os times de vez em quando tropeçam em casa. Mas em verdade não foi um bom resultado, considerando que a tabela nos reserva partidas mais difíceis pela frente e principalmente pelo mau futebol apresentado na segunda etapa do jogo.

Não vou analisar o resultado pelo prisma dos salários, pois se de um lado as notícias de atraso ainda estão no campo da especulação, por outro com a crise que o futebol brasileiro vive teríamos vinte clubes na série B jogando mal, pois é muito difícil crer que haja algum que esteja pagando bem e em dia os seus atletas. Acho que não é por aí, a questão é mesmo técnica e de formação do elenco.

Além do aspecto macro da atuação de quase todo o time, tenho que alguns fatores foram essenciais para o resultado e a pífia apresentação na segunda etapa.

Um deles foi entrada do Mateus Sales no lugar do Willian Farias, que embora justificada por questão física, diminuiu em muito a atuação da meia-cancha. O Mateus Sales é o que se chama de “carimbador da bola”. Sua atuação se limita a dar um toque para o lado ou para trás, às vezes pisando na bola e dando um giro no próprio corpo, jamais criando. Por isso quase não se vê ele errar, mas também não se vê acertar, sendo cômodo o seu modo produtivo de atuar, uma vez que para quem não olha com olhos de ver ele termina o jogo sem comprometer o time diretamente em algum lance. Acredito que se houvesse conscientização disso, e um pouco de ousadia, teria sido o momento de testar o jovem Biel. Aliás, falando em meia cancha, o Rafinha ontem não estava para o jogo, devagar, quase parando, nem parecia o jogador que conhecemos.

O outro fator foi a expulsão do Natanael, que ficou em uma situação difícil quando o Val perdeu tolamente uma bola. O prejuízo maior com a expulsão decorreu do modo como o Morínigo mexeu no time, tirando o único que criava algo, o Robinho, em uma meia cancha já em declínio pela entrada do “carimbador”, de modo que perdemos o que restava de criatividade. O substituto do Robinho, Igor, nada somou, melhor teria sido improvisar alguém na posição.

Nem tudo foi mal, as apresentações do Henrique e do Léo Gamalho encheram os olhos, mas foram insuficientes para alcançar melhor resultado.

Ah, e qual o mistério a que alude o título da coluna?

Se ninguém ainda se deu conta, o mistério é a incompreensível insistência com o Dalberto. Que jogador ruim, um dos piores que já passaram pelo clube. Nada rende, tropeça na bola, em um jogo tirou do companheiro a chance de gol, em outro mal entrou e já recebeu cartão amarelo e ontem foi o mesmo de sempre. O que passa na cabeça do Morínigo que insiste tanto com ele? Torcida para que algum dia jogue bem? Ou necessidade de provar que a contratação não teria sido um erro? Futebol não é esporte complexo, o mais simplório dos torcedores sabe enxergar quando um jogador é craque ou pangaré.A torcida e a crônica já viram há muito que o Dalberto é um perna-de-pau. Só o Morínigo não vê? Um mistério.

Bem, não vamos desanimar no caminho para o acesso à série A. O time vinha correspondendo e esperamos que em seguida retome o futebol cirúrgico e pragmático que apresentava. Continuo otimista e espero não ser desiludido. O campeonato é muito difícil, mas não vejo nenhuma equipe com mais qualificação do que a nossa. Dá para chegar, mas é importante reflexão e autocrítica sobre os erros para que não se repitam.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (13)
Link copiado para a área de transferência