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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O coice fatal.

Ontem o Coritiba fazia a sua melhor partida dos últimos tempos, certamente a melhor deste ano.

Comandava totalmente, não deixava o Goiás jogar, saía rapidamente da defesa para o ataque sem chutões e sim com a bola trabalhada pela meia cancha, segura a eficiente, especialmente pela boa jornada do Mateus Sales e do Hugo Moura. Fez um belo gol em jogada bem construída pelo Willian Matheus e o Sassá. O segundo gol não foi só obra do acaso ou do erro dos adversários, mas muito pela insistência do Willian Matheus que, como se centroavante fosse, estava presente dentro da área.

De repente, não mais do que de repente, fez-se do riso o pranto como diz o verso de Vinícius de Moraes.

Já se aproximando o final da primeira etapa, o mesmo Willian Matheus, que brilhara na construção de um gol e na feitura do outro, cometeu um pênalti de modo imprudente e desnecessário.

Até aí pouco indicava o jogo que o Coritiba não continuaria a dominar, pois jogava bem apesar do acidente, mas não, uma idiotice do pseudo zagueiro Rodolfo Filemon (que na metade da primeira etapa quase entregara um gol para o Goiás), fez com que desse um coice no atacante adversário. Uso a expressão “coice” não como grosseria – e a matéria do jogo feita pelos editores do site também não - mas sim porque o modo como o nosso zagueiro agiu foi tal e qual os equinos quando querem se defender dando uma patada para trás.A sua expulsão teve o efeito de um quase suicídio para o time.

Desfalcado de um zagueiro, surpreendentemente o Jorginho optou por recuar o Hugo Moura, que vinha muito bem na meia cancha, em lugar de, como manda o manual, tirar um atacante e colocar outro defensor. Imagino que ele deve ter pensado assim: Dizem que sou retranqueiro? Pois vou mostrar que não e mesmo com dez vou manter três atacantes.

A partir daí, com a agravante da lesão do Mateus Sales, que jogava muito bem, e sua substituição pelo Galdezani, que mais uma vez não foi bem, o time perdeu produtividade e o Goiás cresceu. Fez um gol em bola trabalhada e contou com a falha do Rodolpho e azar do Sabino para virar o jogo. Quando tudo indicava que voltaríamos de Goiás com uma derrota inaceitável, um zagueiro adversário resolveu imitar o nosso e fez um pênalti bem parecido. Sabino cobrou, mais uma vez nos deixando assustados pelo modo como faz (uma hora vai ter que mudar, logo os goleiros não se atirarão antes e poderão defender).

As entradas do Luiz Henrique e do Natanael pouco somaram, o primeiro porque, embora toda a boa vontade que tenhamos com os jovens da base, cada vez demonstra que não tem mais a dar do que apresenta, e o segundo porque foi colocado praticamente sem posição, pois substituiu um atacante e ficou meio que sem saber o que fazer, embora alguns lances de qualidade. Aliás, já passou da hora de o jovem entrar no time desde o início do jogo, ele, ao contrário de outros, é uma promessa cumprida.

De qualquer modo, considerando o que o time mostrou na primeira etapa, lembrando que o mesmo já acontecera no jogo contra o Botafogo e na segunda etapa contra o Atlético-MG, ainda dá para ter esperança de que a equipe evolua e se estabilize durante toda uma partida. Sem dúvida importante será não ser condescendente com os jogadores que são expulsos por conduta dolosa, tal como ocorreu ontem e com o Yan Sasse (coincidentemente dois que tenho como inservíveis para o time). Se não receberem pelo menos uma forte advertência, o exemplo não será salutar para o restante do elenco. E sem dúvida o Jorginho terá que refletir sobre o modo como tem feito as substituições.

Vamos ao atletiba. O time está devendo para a torcida uma vitória sobre o rival. Se acontecer, além de subir na tabela e deixar o competidor estacionado, a moral do time crescerá.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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