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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O Coritiba acabou.



O Coritiba como eu, o Alvaro, o Celso, o Tadeu e tantos outros milhares de coritibanos conhecemos e vivenciamos, não existe mais.

Acabou, não há mais como reformar, corrigir ou refundar. Só um renascimento - ou ressurreição - um dia poderá nos trazer de volta o Coritiba velho de guerra que tantas glórias deu para a minha geração.Talvez muito tarde, quando a velha guarda nem esteja mais por aqui.

Sei que alguns mais jovens não gostam deste tipo de abordagem, acusando-nos de saudosistas, mas é o que nos restou.

Há alguns anos nada conquistamos e o quadro piorou depois que vendemos o clube para uma empresa financeira que mostra claramente, de modo pouco inteligente, que pouco está se importando com o sucesso, o que lhes interessa são negócios. Não veem que estão matando a galinha dos ovos de ouro aos poucos, e que assim, sem sucesso no futebol, pouco ou nada um dia lhes restará para lucrar.


Se era para o Coritiba acabar como está se acabando, então melhor teria sido não vender o clube e continuar tentando se equilibrar financeiramente através da recuperação judicial. Se era para quebrar, que o fosse em nossas mãos e não dos paulistas que nos compraram.

Triste, muito triste, ver um clube de futebol que um dia foi disparadamente o maior do Paraná e era respeitado nacionalmente chegar ao ponto em que chegamos.

Nem sei mais o que dizer.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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