Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O fator torcida.

O Coritiba fez um excelente primeiro turno neste campeonato da série B, terminando em primeiro lugar com 36 pontos (média de 1,9 por jogo), dez vitórias, seis empates e apenas três derrotas.

Já no segundo turno a performance caiu, pois até agora fizemos 25 pontos em 16 jogos, ou seja, média de 1,5 por jogo (sete vitórias, dois empates e cinco derrotas), o que, se mantida a tendência, nos levaria a alcançar mais quatro ou cinco pontos e com isso a classificação para a série B (de título penso que não adianta mais falar).

Então, em que pese o Coritiba venha em decadência técnica e até um pouco em declínio anímico, a situação não é desesperadora, pois mantendo um mínimo de regularidade poderemos alcançar o objetivo da subida.

Mas se não é desesperadora, é preocupante. Na maioria dos jogos o time vem se apresentando mal – exceção feita à segunda etapa contra o Operário, vitórias sobre o Avaí e o Brusque, por exemplo – e as derrotas para o Cruzeiro, Vasco, Náutico e agora Goiás mostraram um time muito limitado e sem poder de reação.

Lógica e previsibilidade são conceitos que muitas vezes falham no futebol. Enfrentar o Brasil de Pelotas no Couto é jogo para qualquer apostador apontar vitória tranquila do Coritiba. Vencer em seguida ao CSA já não é o caso de aposta tranquila, mas é muito provável. Porém, como o futebol – e até é bom que seja assim – não costuma ser previsível, em tese é possível – embora não provável – um acidente e uma ou duas “zebras” que nos afastariam do objetivo do ano e da gestão. Lembremo-nos, como lição, do campeonato estadual quando, depois de vencer adversários mais qualificados até com goleadas, nas últimas rodadas tropeçamos infantilmente no Londrina, Cascavéis e Rio Branco.

Seria uma catástrofe, e todo o empenho que a atual direção vem tendo para levar o clube ao patamar que sua história faz merecer, de forma gradual e segura, cairia por terra.

Por isso, é a nossa vez de entrar em campo. Domingo temos que lotar o Couto, tal como no último jogo contra o Operário, e carregar o time nas costas se preciso for. Não há mais como mudar o time, a não ser um pouco no modo de jogar e na carga psicológica dos atletas. E não é hora de ficar encontrando culpados, o que a nada levará diante do momento. Precisamos sublimar qualquer sentimento de insatisfação e no domingo apoiar do início ao fim do jogo. Agora não importam as nossas convicções sobre o time, importa, sim, o nosso desejo de ver o Coritiba voltar à série A. Depois tratamos das deficiências da equipe e do que fazer para melhorá-la.

Já disse e repeti aqui que o Coritiba somos todos nós, clube, elenco e principalmente torcida. Esta deve ser fator preponderante nos dois jogos em casa que faltam. Vamos lá!

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (11)
Link copiado para a área de transferência