O fim de uma história?
Não por comodidade, mas por desânimo e porque pouco diferente teria que dizer, vou aproveitar pensamentos que externei em colunas anteriores, pois se o Coritiba só muda para pior,difícil dizer outra coisa.
Disse em texto publicado em 30 de maio último:
Há muitos anos venho alternando textos entre animadores e pessimistas. O meu time do coração, do qual sou torcedor há aproximadamente sessenta anos, às vezes parece me dar esperanças e logo adiante me traz desânimo e decepções. Assim vem ocorrendo desde o fatídico ano de 1989, quando um gritante erro político-administrativo nos levou ao descenso do qual só nos recuperamos depois de sete anos (se é que já nos recuperamos), passando por uma excelente campanha em 1998, uma boa em 2003 e outra ótima em 2011. Nos outros anos o que fizemos foi subir um degrau e retroceder outro, quando não dois.
Na mesma ocasião escrevi:
Chega de dizer que o time “está em formação”. Chega de aceitar passivamente maus resultados. Chega de dizer que o time jogou bem e a vitória não teria vindo “por detalhe”. Basta de lamentar o passado como justificativa para o fracasso atual - o nosso passivo financeiro é antigo e sem dúvida preocupante, mas não podemos tê-lo como desculpa constante. Chega de ver o público diminuir em nossos jogos cada vez mais. Chega da marcante diminuição de um quadro social que já foi superior a 30.000 integrantes. Chega de empurrar com a barriga a vida do clube. Chega de pensar que há esperança quando ela se mostra infundada.
Hoje eu poderia escrever sobre o resultado de ontem contra o Atlético-MG, quando o time até que não foi mal, poderia ter vencido, mas duas falhas defensivas gritantes nos derrotaram, ou falar que a conduta do Juan mais do que mostra de indignação aponta indisciplina que deixa claro que o técnico não comanda os seus jogadores, o que já se pressentia quando os mesmos passaram a pedir a sua manutenção, como “amigo”, indício suficiente de que não é líder.
Mas, amigos, não seria bater no mesmo piano, sempre desafinado, variando um pouco as teclas?
Por isso me perdoem se estou pouco inspirado – o Coritiba do momento tira a verve de qualquer um – e transcrevi parte de texto de quase dois meses passados, infelizmente ainda atual e que nenhum proveito parece ter sido tirado pelos dirigentes, parte dos quais sei que lê alguns dos escribas dos Coxanautas.
Será que um dia voltarei a conviver com o Coritiba que aprendi a respeitar e a admirar - e me orgulhar – desde a infância até grande parte da vida adulta? Pelo que se vê hoje das iniciativas ou a falta delas, parece difícil, a não ser que ocorra uma verdadeira e producente revolução no clube como um todo. Não só no time, embora seja este a razão e fim daquele, mas de toda a instituição. Os próximos e imediatos passos que a direção der serão fundamentais para o futuro do clube e poderão nos situar se esta revolução – que pode ser lenta, gradual e segura, mas que seja uma revolução – virá para reformar e refundar o Coritiba, ou nos levará cada vez mais para um início do fim da nossa História.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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