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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O furo é mais embaixo.

Deixar para escrever sobre o time no dia seguinte ao jogo tem muita desvantagem. Confrades que ilustram o nosso site já abordaram de forma precisa o que é o time e o que podemos (não) esperar dele, pouco restando a dizer.

Mas quero reforçar um aspecto.

Em um grupo fracassado, como está sendo o Coritiba, há responsáveis maiores e menores pelo resultado.

Por isso, quem menos podemos culpar são os jogadores. A quase totalidade deles é tecnicamente limitada, e ninguém dá o que não tem. Parte deles, que poderia dar alguma inspiração para a equipe, parece alheia e desinteressada, como se viu ontem do Renê Júnior. Enfim, mal escolhidos. Se outro clube da série A quisesse contratar algum jogador do Coritiba, certamente teria dificuldade para escolher o nome dentre os raros aceitáveis.

E a responsabilidade também não é tanto do treinador. Tem sim, a sua parcela de culpa, a sua “proposta” de jogo é conversa fiada. Mas quem o escolheu? Recebi notícia de que ele teria sido demitido hoje pela manhã, mas não se confirmou.

Em um crescendo de responsabilidades, a parcela de culpa do diretor de futebol – “eu sou bom”, disse quando subimos para a série A – que trouxe para o clube os tantos nomes que fracassaram, como bem relaciona o Ricardo Honório na sua coluna de hoje, é muito grande. Seus negócios são incompreensíveis, não se entende como olha e aceita jogadores tão desqualificados ou que estão mais com intuito de apenas passar pelo Coritiba ou aqui encerrar a carreira.

E chegamos à grande culpada por tudo, a direção, mais propriamente o presidente Samir Namur. Não há soldado derrotado sem responsabilidade do comandante. Ninguém diz que os soldados franceses perderam a guerra, mas sim que Napoleão foi derrotado. Ninguém diz que os paraguaios perderam a guerra, mas sim que foi Solano Lopes. Claro que comparar o presidente do Coritiba a esses homens é um exagero no que se refere à liderança deles, mas a torcida tem que antes apontar o dedo para ele que, entre outras carências, parece submisso ao seu diretor de futebol – há quem dia que manda sem prestar contas – muito antes de apontar para os jogadores e o mesmo para o treinador.

Teremos eleições no final do ano. Não sei se o Coritiba chegará até lá sem estar entre os últimos colocados, já tal como um doente desenganado pelos médicos. Não sei se a nova administração poderá recuperar um clube tão debilitado, mas o que nos resta é esperar.

Por falar em eleição, uma observação final. Os amigos notaram que nas redes sociais ninguém admite ter votado no atual presidente? A IAV, que se diz o elegeu, esses dias lançou um manifesto pedindo a saída do diretor de futebol, mas nem indiretamente focou no presidente. Como diz o ditado, quando a criança é feia, ninguém que ser o pai.

PS. Editei a coluna para completá-la. Redigi antes de ver a coluna do Marinson Luiz, postando a minha alguns minutos depois, e fico satisfeito em ver que não estou sozinho. Ao Marinson, nosso novo colega, meus respeitos.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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