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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O império do VAR.



O VAR foi criado com a função de auxiliar o árbitro – o próprio nome diz isso, Video Assistant Referee – e não de decidir por ele, que deve ser chamado somente quando uma clara infração não seja vista e o lance resulte em gol ou pênalti. A chamada marcação de campo deve prevalecer, salvo se clara e evidentemente equivocada.

Mas não é o que se tem visto, pois os árbitros sempre se curvam ao que o colega que comanda o VAR entende, não tendo personalidade nem autoridade moral para contrariá-lo. O único que tentou foi o árbitro que marcou um pênalti para o Santos e foi chamado pelo VAR para tornar sem efeito a marcação, mas a manteve (bem ou mal, não importa para o que estou desenvolvendo). O resultado foi que o árbitro ficou afastado para passar por programa de aperfeiçoamento. Ou seja, os árbitros foram desencorajados a manter o que decidirem em campo, mesmo em lances não claros, pois do contrário, certos ou errados, correm risco de afastamento.

O VAR hoje no jogo contra o Botafogo pode ter sido decisivo. A falta que apontou na origem do segundo gol do Coritiba não existiu, foi uma disputa corpo-a-corpo que o mais forte ganhou, nada mais do que isso.

Ah, mas mesmo assim foi 4 x 1, dirão. Sim, por isso usei “pode” no parágrafo anterior. Não posso desmerecer a vitória do Botafogo e nem a justificar somente pela atuação do árbitro/VAR. É um time muito forte, não sem razão é líder disparado do campeonato. Mas será que se o jogo ficasse em 2 x 1 para o Coritiba a postura do nosso time e do adversário não teria sido outra? A condição de ânimo não teria sido outra? O Botafogo não se abriria? Não são apenas simples conjecturas, mas observação de possibilidades.

De qualquer modo, mesmo sem considerar o lance o Coritiba teve desempenho razoável ou até bom em alguns momentos, mas infelizmente algumas peças foram mal ou até muito mal.

Os laterais não se saíram bem, notadamente o Natanael que esteve em uma de suas piores apresentações, O Robson voltou a ser o Robson de sempre. Bravo, e por isso ilude parte da torcida, mas sem técnica, e quando se sai bem é o que se chama de ponto fora da curva, uma exceção. Gabriel também deixou a desejar, tem que procurar sair quando dos cruzamentos. O Edu só pode voltar a jogar depois que passar um tempo em um spa para perder alguns quilos.

De positivo a postura altiva do time e as atuações do Bruno Gomes – que fez um gol antológico – e do Marcelino Moreno. Os demais, excetuados aqueles que citei antes, não comprometeram.

Enfim, considerando que enfrentamos o melhor time do campeonato e que a conduta da arbitragem pode – pode, repito – ter influído no resultado, vamos tratar de voltar ao caminho que estamos fazendo desde que o Kosloski assumiu o comando da equipe, agora como técnico efetivo.

Nada está perdido, ainda tem muito pela frente. Vamos trabalhar e continuar a prestigiar o time lotando o Couto Pereira no próximo jogo, contra o Bragantino, um time que merece respeito.

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PS. Hoje, às 11:45 h, postei comentário na notícia aqui do Coxanautas sobre o jogo, onde disse: “Wagner Reway no VAR? Quem lembra da estreia dele em Flamengo 3 x 0 Coritiba, em 2014, pela Copa do Brasil, quando "achou" dois pênaltis para os cariocas e não apitou um sofrido pelo Alex?
Se depender hoje de VAR...”.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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