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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O negro no Coritiba.

A propósito da infâmia praticada por uma vereadora de Curitiba, reproduzo antigo texto.



O negro no Coritiba
COXAnautas relembra a história dos primeiros negros a jogarem no Coritiba.

Por: Felipe Rauen

Passados 124 anos da abolição formal da escravatura no Brasil, data comemorada no último dia 13, ainda pipocam aqui e ali odientas manifestações racistas, como seguidamente temos visto. Poucas, é verdade, mas que indicam que aquela triste mancha na nossa História ainda perdura para alguns.

Nos clubes de futebol paranaense, em especial no Coritiba, como foi a integração dos afrodescendentes a partir da chegada o esporte ao Brasil no início do século passado?


Moacir Gonçalves tem sido considerado por alguns como o primeiro afrodescendente a jogar no Coritiba, contratado no final de 1931 e registrado em janeiro de 1932, a tempo de jogar a partida decisiva do campeonato contra o Palestra Itália. Depois de alguns jogos passou à função de treinador.



Mas de acordo os Helênicos, no livro "Eternos Campeões”, na década de 1910 o Coritiba já contava com os afrodescendentes Arthurzinho, Bindo e Heitor, o primeiro aparecendo na foto do time de 1915.

O Clube Atlético Ferroviário (1930), gênese do atual Paraná Clube, teve afrodescendentes nos seus times desde que fundado.


Já o rival maior do Coritiba, segundo o jornalista Carneiro Neto no livro “Atletiba, a paixão das multidões”, teve só em 1962 o primeiro afrodescendente a usar a camisa rubro-negra, o Amauri. Não era racismo, diz o jornalista, mas uma questão social, pois o rubro-negro era o clube das famílias mais tradicionais da cidade e “era muito difícil, naquele tempo, um negro frequentar a universidade ou circular pela fechada sociedade curitibana”. Por essas razões, na primeira metade do século passado o time da baixada era apelidado de “pó de arroz”.

Hoje, felizmente, para todos os clubes de futebol não faz a menor diferença a etnia dos jogadores, sendo todos bem-vindos desde que saibam jogar futebol bem, como são e foram tantos craques que passaram pelo Coritiba, sem falar no maior jogador do mundo de todos os tempos.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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