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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O nome do jogo ficou no vestiário



Todas as partidas de futebol têm um fator decisivo, e até uma obviedade dizer isso.

Em algumas, a atuação coletiva da equipe é que leva à vitória, tal como ocorreu conosco na inesquecível goleada sobre o Palmeiras no ano passado, jogo em que não havia como destacar um ou outro, sob pena de cometer injustiça, sendo o fato decisivo para a goleada a atuação coletiva. Este, o coletivo, também pode ser fator fundamental na derrota, como aconteceu na última rodada do campeonato brasileiro do ano passado, quando perdemos para os rubros em jogo que ninguém – nenhum mesmo – dos nossos mereceu destaque, todos jogaram mal.

Em outras partidas, a equipe não joga muito bem, mas um ou dois atletas se destacam e resolvem positivamente o jogo, tal como ocorria na Copa do Mundo de 1994 em que a seleção jogava como um bloco fechado e Romário tratava de decidir. No Coritiba, algumas vezes isso ocorreu no tempo do Zé Roberto e do Kruger e, mais recentemente, quando Keirrisson, lá na frente decidia.

Em outras tantas partidas, a equipe joga bem ou razoavelmente bem, mas uma falha gritante coloca tudo a perder, como ocorreu na triste lembrança do frango do Edson Bastos e na escalação esquisita do Marcos Paulo na decisão do ano passado contra o Vasco. Desculpem lembrar, mas em mim a ferida ainda não cicatrizou.

Pois bem, amigos, vejam onde quero chegar. O nome do jogo de hoje contra o Iraty, o fator decisivo para a goleada, foi o do Marcel.

Não, o colunista sessentão aqui não está “fora da casinha”.

Marcel, quando ausente, foi, sim, decisivo, uma vez que a partir de sua saída e ida para o vestiário a equipe passou a jogar como todos nós sempre quisemos e como era no ano passado: toques de bola rápidos, triangulações envolventes e, principalmente, todos os que jogavam do meio para a frente se deslocando, não ficando ninguém, como faz o Marcel, esperando que a bola chegue até ele. Há quem se destaque pela ausência, sim e hoje foi o caso.

E pelo que ocorreu na segunda metade do segundo tempo, com a mudança radical da proposta de jogo, fiquei esperançoso. Retomamos, pelo menos ao que se viu hoje, e espero que assim continue, aquele futebol alegre e ágil do ano passado. E não me venha o meu amigo Aderbal dizer que contra o lanterna do campeonato foi fácil e não vale. Não há mais partida fácil em tese, usei exemplos na última coluna e a rodada da Copa do Brasil mostrou isso em alguns jogos. A desenvoltura de uma equipe é que faz com que o jogo fique fácil. Jogamos na casa deles, com dez em campo até aproximadamente os vinte minutos do segundo tempo. A vitória foi boa e dá esperança de um novo caminhar.

Poderia ser o Lincoln, que hoje foi primoroso, mas considerando a necessidade de mudar o esquema e a mudança decorrente de sua saída, Marcel - no vestiário - foi para mim o nome do jogo.

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Deixando de lado o tom um tanto irônico, encerro a coluna registrando uma homenagem ao grande e histórico coxa-branca Cândido Gomes Chagas, conselheiro vitalício do Coritiba, proprietário da revista “Paraná em Páginas” e “Curitiba em Páginas”, coautor da ideia de mudar o nome de nosso estádio de Belfort Duarte para Couto Pereira, falecido na semana que findou. Candinho, como era conhecido, pediu para ser sepultado com uma roupa verde e branca e suponho que a família atendeu. Ao “Candinho” minha homenagem e à família meus sentimentos.

Sou sócio, ajudo a construir o meu Coritiba.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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