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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O personagem do jogo.



Ontem, contra o Atlético-MG, o time do Coritiba mostrou que temos razão em ficar entusiasmados com as perspectivas para os campeonatos brasileiro e Copa do Brasil. Foi bravo e foi técnico.

Enfrentando aquele que seria, em tese, o melhor time do Brasil no momento, um clube milionário e que vem de uma invencibilidade de trinta e nove jogos em casa, não se amedrontou nem quando ao final do primeiro tempo perdia por 2 x 0 e soube, de forma heroica, mas com técnica, buscar o empate, que teve gosto de vitória. Vendo o binômio técnica-raça, lembrei da afirmação do saudoso presidente Follador quanto a querer ter um time no qual o jogador “morda o alambrado”. Essa prática, claro, sempre aliada à técnica.

Quase todo o time esteve muito bem, embora Regis, Val e Alef Manga estivessem abaixo do nível dos demais. O primeiro por se mostrar desatento, tanto que perdeu a bola que gerou o contra-ataque que levou ao primeiro gol do adversário, e o segundo por quase nada apresentar de positivo, parecendo dar a impressão de que não está contagiado pelo espírito de disposição e entusiasmo que o time tem mostrado. Alef Manga também não foi feliz desta vez e temo que a grande exposição na mídia desde a vitória contra o Santos talvez o tenha deslumbrado.

No mais, todos merecem elogios, mas em especial - uma unanimidade nas redes sociais e nos meios de comunicação - o Igor Paixão e o Willian Farias, nos quais se simboliza a juventude e a experiência dos atletas do time. Igor Paixão certamente encantou ao Brasil ontem, e tenho certeza de que muito colaborará para que tenhamos uma boa campanha nos campeonatos que disputamos e depois para servir para amenizar a nossa crise financeira com a sua negociação para o exterior. E Willian Farias encarnou a raça do time, aliando-a com técnica, de modo que foi dono do meio campo na segunda etapa.

Não dá para esquecer o Mateus Alexandre, que a cada jogo cresce, assim como o Fabrício Daniel e o Adrian Martinez, fundamentais para o bom resultado. Bernardo também entrou bem.

Embora tenhamos o hábito de escolher um jogador como o melhor da partida, hoje eu vou apontar a láurea para o nosso técnico, Gustavo Morínigo, que soube mexer no time no intervalo e foi feliz nas substituições. Quando foi anunciado o Robinho eu temi, pois as últimas apresentações dele vinham sendo muito fracas, mas confesso que, como se diz popularmente, “mordi a língua”, eu e um amigo com o qual trocava mensagens no intervalo sobre o quem poderia substituir o Regis e o Val.

O nosso “profesor (em espanhol é com um “s” só mesmo) guarani” soube compreender o jogo e as deficiências do nosso time e as do adversário, mudando totalmente o panorama do jogo na segunda etapa. E não fosse por ontem, pelo conjunto da obra já estava na hora de reconhecermos o valor do nosso técnico – sempre a primeira função a ser atacada pela torcida quando o time vai mal – que sem estrelismo tem o time em suas mãos e sabe o que dele tirar conforme o momento.

Uma palavrinha final sobre a falha do Biro no segundo gol e lembrança do gol contra do Henrique no jogo com o Santos. Foram ambas fatalidades, que quis a sorte acontecessem contra nós. Como no futebol a banca paga e recebe, ainda seremos compensados com gols decorrentes de falhas semelhantes de adversários, aguardem.





Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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