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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O regresso.

Escrevo atrasado, pois estive envolvido com o falecimento de um familiar, o que me ocasionou viagem inesperada.

Mesmo assim, consegui um espaço para assistir ao jogo contra o Vitória, após o qual, com sobras em razão dos resultados paralelos, alcançamos a tão esperada classificação para a série A do campeonato brasileiro do ano que vem.

É hora de louvar a equipe, especialmente pela demonstração de garra na reta final, com o que supriu algumas deficiências técnicas.

Mas louvor especial merece o técnico Jorginho, que soube trabalhar com o material humano de que dispunha. Muitas vezes ficamos angustiados com o time sob o seu comando em razão do modo pragmático de jogar, com o time atuando mais defensivamente, mas ao fim e ao cabo se viu que isso era necessário diante das limitações do elenco, tanto que terminamos o campeonato com o expressivo número de treze jogos consecutivos sem derrota.

E o Jorginho também teve o mérito de saber comandar o grupo, o que se viu no episódio em que resultou afastado o Rodrigão por indisciplina, assim como no último jogo quando se mostrou necessária a substituição do Giovani que, talvez entusiasmado por ter sido o herói do jogo contra o Bragantino, pouco estava produzindo e o técnico não vacilou em retirá-lo.

E ele foi muito feliz nas substituições no último jogo. Com o Mateus Sales no lugar do Giovani a meia cancha se reestruturou e a entrada do Wanderley foi decisiva para o resultado. Alguém poderá dizer que neste último caso a substituição não dependeu da vontade do treinador, pois o Igor Jesus sentiu uma lesão, mas foram os desígnios do futebol e sabemos que nada é por acaso nesta vida e que a sorte no mais das vezes premia os capazes.

Parabéns ao nosso clube, em especial parabéns à nossa maravilhosa torcida que compareceu em massa aos jogos e em muitas ocasiões carregou o time pela sua vibração.

Dedico cumprimentos à direção, ainda que entenda que o sucesso veio apesar dela, mas vá lá, pela dedicação e esforço, ainda que com múltiplos erros desde o ano passado, parabéns também a quem administra o clube. Espero que saibam fazer uma autocrítica para não repetir os tantos erros que vimos nesses dois anos. O retorno à primeira divisão não significa a concessão de uma certidão de bons antecedentes aos dirigentes, que têm muito o que mostrar se querem fazer o Coritiba grande de novo.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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