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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O retorno do Alef Manga.

Está sendo noticiado que o Jorginho daria oportunidade para o Alef Manga retornar, utilizando-o por alguns minutos no final da partia contra o América-MG na próxima sexta-feira.

Não vou entrar no debate – já desgastado – de o Alef Manga merecer uma chance por já ter cumprido a pena e estar arrependido da conduta desleal que teve para com o clube que o emprega. Não penso assim, mas vamos “pular” esse enfoque.

Prendo-me a analisar o sentimento que os entusiastas torcedores exigentes do retorno do indigitado atleta têm, sonhando que o seu retorno levará o nosso clube a vitórias. Como se, não tivesse ele praticado o crime esportivo que praticou, estaria jogando e só por isso o Coritiba não estaria na difícil situação que enfrenta.

Ledo engano e esperança irreal.

Além de não ser o craque que agora alguns torcedores passaram a ver, penso que o Alef Manga decepcionará quem tanto brada por ele.

Primeiro porque o longo tempo de inatividade certamente cobrará o seu preço. Aprimorar a parte física, como ele teria feito, não é suficiente quando não se tem a experiência da participação em jogos. Isso é fundamental em qualquer esporte. Aliás, até há poucos dias nem de treinos coletivos ele participava. Falta-lhe, para usar uma palavra da moda entre os cronistas esportivos, “minutagem”.

Depois, ele nunca foi um craque na acepção exata do termo. Tem qualificação suficiente para jogar em time de segundo escalação, como tem se mostrado ser o Coritiba nos últimos anos, mas nunca mais do que isso.

Por outro lado, a sua conduta em diversos jogos mostrou instabilidade emocional, circunstância da qual dificilmente se livrará, pois parece inerente à sua personalidade. Lembram de quando começou no Coritiba em jogo contra o Paraná Clube e foi expulso estando no banco? E a soma de cartões que tomou jogando no Coritiba (fraudulentos ou não)? No ano de 2022 recebeu nada menos do que treze cartões amarelos e um vermelho em trinta jogos (fonte Infogol), ou seja, mais de um a cada três jogos, isso que é atacante, os quais comumente cometem menos faltas. Mas mostrou arrependimento, dirão os seus fãs. Sim, mas essa manifestação é suficiente? Teremos que ver, pois no conflito entre palavras de arrependimento e atos, os últimos são desfavoráveis ao atleta.

Como torcedor quero esperar que os que agora o colocam na mesma prateleira na qual estão Krüger, Zé Roberto, Abátia, Chicão e Keirrisson e outros venham acertar no prognóstico de recuperação do time com a volta do atleta. Em qualquer circunstância sabemos que a recuperação do Coritiba (se ainda é viável, no que não creio) não dependerá só dele e sim do time todo. Mas o que vejo nas redes sociais não tem esse realismo, colocando o retorno do atleta como a pedra de toque mágica que fará o Coritiba ser vencedor.

Gostaria de estar errado, mas acho difícil. Como o tempo é senhor da razão, aguardemos.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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