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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O time, o goleiro e o árbitro



O time.

Ontem, contra o Flamengo, calando o maior público do campeonato, o Coritiba teve uma exibição de gala, sem dúvida a melhor de todo este ano e uma das melhores em seus jogos fora de casa dos últimos tempos,

Se não existe perfeição no futebol, podemos dizer que pelo menos o time foi quase perfeito. Atuações individuais de destaque e força do conjunto exemplar.

A nossa defesa é outra com a zaga formada pelos meninos Walisson e Juninho e o deslocamento do eficiente Leandro Silva – talvez o melhor ontem – para a lateral direita. Sem querer dar relevância para aspectos negativos, não se pode esquecer que é incomparável a qualidade da zaga atual com a anterior, ante a lentidão e pouca impulsão do Lucas Claro e a displicência do Leandro Almeida.

No ataque, Henrique Almeida se afirmou definitivamente e o Kléber parece estar mostrando que valeu a contratação (melhor seria se não cometesse tantas faltas, às vezes desleais). Ainda temos o jovem Evandro, que talvez aos poucos possa ser uma revelação.

Apenas, embora ontem se mostrassem bem, tenho ainda alguma desconfiança com os volantes e armadores, que nem sempre correspondem e muitas vezes foram a causa de más jornadas do time.

Enfim, o time mostrou que tem potencial – com desconto para o dispersivo Thiago Galhardo - e pode crescer na competição. E sem esquecer que desta vez o Ney Franco não meteu os pés pelas mãos nas substituições.

Mas, como diz o povo, cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Vamos continuar com os pés no chão, cientes das nossas limitações. Temos muito a fazer. Ainda não ganhamos nada, como dizia o saudoso Ênio Andrade. Ao atletiba com confiança, mas sem euforia.



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O goleiro.

Ainda que ontem aparentemente não fosse fundamental para a vitória, não posso deixar de referir que a melhor contratação que o Coritiba fez este ano foi a do Wilson. Seguro sem ser espalhafatoso, sabe sair bem nos cruzamentos e com muita qualidade repõe a bola em jogo. E, o que me parece muito importante, é líder e comanda os companheiros. Ao vê-lo, os da minha geração devem lembrar-se do discreto, mas seguro e eficiente Célio.


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O árbitro.

Tenho dúvidas sobre o futuro do árbitro de ontem, Marielson Silva, cuja atuação foi perfeita.

Ter a coragem , perante um estádio com setenta mil flamenguistas, dentre eles o controvertido presidente da Câmara dos Deputados, de dar um pênalti para o Coritiba e não inventar nenhum para o Flamengo e ainda não distorcer o lance do segundo gol com um suposto impedimento, foi atitude de personalidade e coragem – exemplo para muitos, inclusive para o que apitará o atletiba - mas de risco. Como ousou o atrevido apitar corretamente um jogo do querido da mídia e dos escaninhos do futebol?

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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