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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

O União Barigui e o Coritiba

Hoje vou ficar devendo um texto sobre o Coritiba.

Se eu escrevesse sobre a situação atual do nosso time, provavelmente vocês poderiam pensar que copie e colei textos publicados em 2013, 2014 e 2015. Procuro ser original em minhas colunas, e não aceitaria reproduzir as argumentações, fatos e adjetivações nos mesmos termos já lançados desde 2013, mas como não fazê-lo? Poderia ser com outras palavras, talvez, mas sempre estaria deixando de ser original e me mostrando repetitivo. Como o Coritiba vem sendo o mesmo em todos esses anos, difícil é para o cronista ser criativo para falar sobre outros temas do clube que não sejam as seguidas más fases. Eu disse “más fases”? Perdão. Não é uma fase, mas sim uma permanente crise, com um incêndio apagado aqui e ora outro se levantando ali.

Pensei então em escrever sobre o União Barigui, time da suburbana e que acompanhei na minha adolescência. É que sua lembrança me veio à mente ontem ao ver bolas jogadas para a rua no suposto estádio do PSTC (o que é isso?), nem todas sendo recuperadas. No “estádio” Plínio Franco Ferreira da Costa, do União Barigui, eu e alguns amigos seguidamente éramos “premiados” com alguma bola que era chutada para fora do campo de modo a ir cair do outro lado do rio com o mesmo nome do time, onde, na segunda-feira, íamos procurar “ganhar” uma pelota de couro número 5. (Sim, cometi apropriação indébita, mas era menor inimputável e o crime já prescreveu). Mas as semelhanças entre o que aconteceu ontem e o time suburbano parariam por aí, pois os atletas que compunham o União Barigui eram altamente voluntariosos, se entregavam pelo clube e nada ganhavam senão o prazer da vitória. Então, se não há semelhança entre a disposição e comprometimento de um e de outro, não convém escrever a respeito do clube do meu bairro.

Fico devendo, mas nem tanto quanto o Coritiba nos deve.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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