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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Observações na ressaca.



1 – O site já publicou a triste marca da diretoria atual, que encerrará mandato de três anos sem conseguir nenhum título, o que não ocorria de 1999. Nesses vinte e um anos, todas a gestões conquistaram pelo menos um título estadual, quando não quatro consecutivos.

2 - O campeonato paranaense já foi disputado cento e seis (106) vezes e o Coritiba obteve o título por trinta e oito (38) vezes, ou seja, a cada 2,7 anos o Coritiba conseguia ser campeão. Essa gestão conseguiu fugir da média.

3- O jogo de ontem foi um retrato do que temos e do que nos espera, a começar pelo claro mau preparo físico que mostrou os jogadores exangues no final da partida. O treinador errou ao não fazer a última substituição ainda em tempo de dar um pouco de fôlego para o time.

4- Vejo aqui e nas redes sociais torcedores pedindo a volta do Wilson em razão dos gols sofridos ontem pelo Alex Muralha. Na verdade, nem um e nem outro inspiram total confiança. Muralha não falhou no primeiro gol do rival, a bola era indefensável, mas deu o segundo gol de presente para o adversário. Mas não esqueçamos que o Wilson gosta de tomar gols de longe, também em partidas decisivas, como ocorreu no jogo contra a Chapecoense em 2017 ao final do qual restamos rebaixados. Precisamos de outro goleiro, vai longe o tempo em que tínhamos goleiro em que podíamos confiar com segurança.

5 – Para um time ser campeão não basta jogar bem a partida decisiva. Mais do que isso tem que jogar com entrega, com o coração no bico da chuteira como se diz. Vencendo como estava e o jogo próximo de terminar, foi ingenuidade do time e falta de comando tentar manter o mesmo padrão como se fosse jogo administrável. Claro que às vezes para ser campeão precisa também contar com um pouco de sorte, ou pelo menos não ter azar, o que não nos favoreceu, mas já diziam os romanos que “audaces fortuna juvat”, ou a sorte ajuda aos audazes e competentes.

6 – A fratura sofrida pelo Rafinha poderá ser o fim da sua carreira, em razão de se tratar de evento que exige demorada recuperação e estar ele com trinta e sete anos de idade.

Sobre o campeonato brasileiro falaremos ainda nesta semana.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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