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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Os jornais de Curitiba e futebol.

Até há poucos dias fui assinante da Gazeta do Povo, através da qual, juntamente com a leitura da Tribuna do Paraná, procurava acompanhar notícias do futebol paranaense.

Cancelei como modo de protesto – embora duvide que isso chegará aos ouvidos dos dirigentes do jornal e se chegar os sensibilizará, é mais um desabafo – uma vez que são veículos que tratam com muita preferência o clube que é nosso rival maior, mantendo em seus quadros só dois cronistas, ambos notadamente atleticanos, nenhum que veja as coisas pelo viés do Coritiba. Não sou contra um jornalista ter esta ou aquela cor clubística - os ditos “isentos” não existem no futebol - mas isso não justifica um órgão de imprensa privilegiar um clube, tendo em seu plantel somente comentaristas que veem o esporte mais na perspectiva de suas cores.

Hoje, por exemplo, a Tribuna do Paraná (acredito que a Gazeta também, pois as matérias estão em “Um dois esportes” comum a ambos os jornais), temos uma crônica do jornalista Carneiro Neto e um pretenso “debate” entre ele e o Augusto Mafuz que em parte envolveu o Coritiba. Ambos são jornalistas qualificados e que acompanham o futebol há dezenas de anos, não os desmereço, mas sempre o viés atleticano está explícito ou embutido em suas palavras. Como entender que o “vídeo cast” é um “debate”, se este pressupõe contraditório e só um modo de pensar está na mesa?

Sabemos que a linha editorial dos meios de comunicação deve estar relacionada aos interesses dos seus leitores e nestes devem estar presentes todas as vertentes, em especial no tocante ao futebol que é a paixão da maioria dos brasileiros. Infelizmente isso não ocorre com os jornais que citei.

Creio que o crescimento inegável do rival está vinculado, dentre tantas outras razões, a uma conquistada simpatia por parte dos meios de comunicação. Hoje o Carneiro Neto referiu que quando MCP assumiu e se propôs a fazer uma revolução no Athletico, "nos chamou para ajudar", expressão que fala por si só.

Enfim, se no jornalismo esportivo pode haver profissionais que têm suas cores clubísticas, isso é natural, pois sem ser torcedor ninguém opta pelo futebol, os meios de comunicação devem disponibilizar igual espaço para os clubes do local onde circulam, inclusive e especialmente quanto a cronistas. E isso infelizmente não se vê nos jornais curitibanos.

Será que em Curitiba não há jornalista que seja qualificado e torça pelo Coritiba que possa participar dos referidos veículos fazendo contraponto aos atleticanos quando necessário?

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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