Os menores e os maiores culpados.
Mais uma derrota, desta vez vexatória.
Quem não viu o jogo de ontem, sabendo somente do placar, pode ser levado a crer que o Coritiba ofereceu alguma resistência ao Flamengo. Qual nada, levamos o que se chama de “banho de bola”, o Flamengo parecia brincar conosco. Perderam sete gols, dois deles por baterem na trave, e se fizessem metade estaríamos falando da maior goleada do campeonato.
O Coritiba se saiu tão mal, que se eu tivesse o costume de dar notas aos jogadores não saberia o que atribuir aos integrantes desse bando que se pensa time. Ontem até o Sabino estava perdido no esquema de três zagueiros, que em certos momentos parecia como se nenhum houvesse (a propósito, com que facilidade os atacantes do Flamengo cabecearam na nossa área).
Mas não vou dizer que os jogadores e o treinador são os responsáveis diretos pela vergonha que estamos passando, ao menos não são os maiores. Nós, torcedores, temos o hábito de primeiro culpar o treinador e depois os jogadores que falharam, mas, como diz a expressão popular, aqui o furo é mais embaixo.
Não amigos, o grande culpado pela situação ultrajante em que nós encontramos é o grupo que está no poder. Foi ele quem trouxe treinadores sem ou com mau currículo e foi ele que trouxe tantos jogadores desqualificados. Foi esse grupo que brincou com o clube no início da gestão pensando que com um time e um treinador iniciantes poderíamos nos dar bem no campeonato estadual. Foi esse grupo que trouxe Argel e que na série B de 2018 ficou em décimo lugar. Foi esse grupo que fez com que fôssemos desclassificados na Copa do Brasil no primeiro jogo. Foi esse grupo que contratou Gabriel, Filemon, Patrick Vieira e tantos outros que de tão má lembrança os nomes me escapam no momento em que escrevo. Foi esse grupo que deu ao rival o seu primeiro tricampeonato, derrotando-nos com o time de aspirantes.
E esse grupo quer se manter no poder, tem um apego inexplicável por ele, quando deveria estar se despedindo e se desculpando com a torcida por constituir uma das piores gestão – há quem diga que é a pior, talvez seja mesmo – da história do Coritiba. Assumiram sem projeto e se tiveram algum até hoje foi ele de fracassos e mais um se aproxima.
Mas o risco de que o mesmo grupo consiga se manter no poder existe, pois é sabido que o presidente tem a torcida organizada IAV sob sua influência e, como foi denunciado pela imprensa (veja aqui), a teria contemplado com material com valor estimado em R$ 70.000,00. Em razão da pandemia muitos sócios não poderão comparecer, mas a turma da IAV, que tanto mal já fez e faz ao clube, certamente não se omitirá para eleger o seu chefe.
Será o pior dos mundos para o Coritiba se o fracassado grupo que está no comando do clube permanecer por ainda mais três anos. O sócio comum, aquele que realmente sustenta o Coritiba, nada pedindo em troca que não bons resultados em campo, tem obrigação de comparecer nas eleições, salvo motivo imperioso, para obstar essa tentativa malsã.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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