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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Para arrumar um pouco a casa. Ou desarrumar de vez.

Mais um atletiba em nossas vidas. Para mim, e para muitos torcedores autênticos, não há clássico maior do que o atletiba, e nenhum deles é sem importância. Nem Grenal, nem Fla-Flu e nem Brasil e Argentina, para nós torcedores paranaenses de verdade, o maior clássico do futebol brasileiro e mundial é o atletiba de tantas histórias.

Vamos para o clássico maior na quarta-feira com um time que infelizmente não nos convence e dá confiança, uma equipe sem constância nas escalações e sem padrão de jogo visível. Do outro lado, encontraremos um rival que está em excelente fase, mostrando-se a vitória incontestável de ontem sobre o Grêmio um atestado da sua qualidade de momento.

Estando uma das equipes induvidosamente melhor do que a outra, logo vem às nossas mentes um conceito antigo no futebol, o de que em clássicos não há favoritos e nisso nos agarramos para ter esperanças de uma vitória, o único bom resultado desejável na triste situação em que nosso time está.

Mas não é bem assim. Sem dúvida em clássicos já aconteceram muitas surpresas e muitos resultados que contrariaram a lógica. Muitas vezes o time que está em tese mais fraco se agiganta e vence. Mas isso não é regra, é exceção.

Gostemos ou não, o Atlético é o favorito da vez. Basta comparar as campanhas dos dois e trazer à lembrança a decisão do campeonato estadual. Mas isso não quer dizer que não possamos vencer. Claro que podemos.

Para tanto muito há que ser feito em pouco tempo. Primeiro, o comando técnico do Coritiba deve definir qual é o time titular, não inventando a cada jogo uma escalação. O Pachequinho e os seus assessores devem abrir os olhos para algumas certezas, como, por exemplo, a notória convicção quanto ao João Paulo não poder integrar a equipe, assim como o novel Felipe Amorim, que suponho, talvez seja escalado por ter padrinho, pois futebol evidentemente não tem. Depois, o comando técnico deve procurar dar à equipe um mínimo de padrão de jogo, se for possível no pouco tempo que resta até o clássico, pois pelo que se vê até agora a única jogada previsível do time se constitui nos chutões que os zagueiros dão tentando fazer ligação direta com o ataque.

E mais, ainda que consciente das suas limitações, o que é importante em qualquer jogo, o grupo deve receber uma forte injeção de ânimo e otimismo. Mostrar-lhe a história de atletibas épicos, apontar jogadores que foram grandes nomes em clássicos e se tornaram mitos e cobrar empenho e dedicação, pois a torcida muitas vezes pode perdoar carências técnicas (e neste quesito tem sido compressiva demais), mas falta de vontade jamais perdoa. Clássico é para os de personalidade forte. Ah, não se pode deixar de mostrar que na história dos atletibas eles sempre nos temeram muito mais do que nós a eles. Respeito sempre, mas jamais temor.

Uma vitória na quarta-feira será fator importante para começar uma arrumada na casa e procurar iniciar uma melhor caminhada no campeonato brasileiro Mas uma derrota, sejam quais forem as suas circunstâncias, levará a consequências danosas para a torcida e para o time, e especialmente para a diretoria.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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