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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Perdão, Krüger.



Quem acompanha o futebol paranaense, mais especificamente o Coritiba, não desconhece quem foi e quem é o Krüger, o Flecha Loira. Não sei se ele foi o maior jogador do Coritiba, tantos que o foram no passado e cada um pode ter a sua visão a respeito. Mas sem dúvida é, junto com o presidente Evangelino, o maior símbolo dentre os nomes que passaram pelo Coritiba.

Foi o Krüger justamente homenageado pela FPF com a atribuição do seu nome ao troféu a ser entregue ao vencedor do segundo turno do campeonato estadual.

E do Coritiba, seja pela sua grandeza histórica, como seja principalmente por estar a dever muito aos seus torcedores, esperava-se que honrasse o homenageado levando a taça para o Alto da Glória.

No dia 11 de março último, escrevi (veja aqui): “A conquista do segundo turno tem um simbolismo para nós, qual seja o nome da taça que se disputa, Dirceu Krüger, o nosso imortal Flecha Loira. Não podemos permitir que caia em mãos estranhas, menos ainda vocês sabem de quem”.

Pois bem, deixamos que o troféu ficasse com o maior rival. Por isso, em nome dos que pensam como eu, peço perdão ao Krüger por esse Coritiba que não é o que ele viveu e cuja grandeza ajudou a construir.

E, cada vez mais ferido (vejam a hora da postagem, perdi o sono), não vou nem comentar o jogo. Até jogamos com o mesmo volume e tom do adversário, embora não tenhamos sabido administrar o resultado favorável. Mas não podemos esquecer que se tratava do time alternativo deles, nem o reserva era, e nós fomos com o que de melhor (?) temos. Se o jogo tivesse sido entre os dois times principais e terminasse como terminou, eu não lamentaria tanto, afinal, teríamos enfrentado de igual para igual um time forte e que disputa torneio intercontinental.

Tenho um amigo que às vezes invejo pelo seu otimismo. Logo após o jogo mandou-me uma mensagem dizendo que talvez tenha sido bom perder para que a direção veja que não temos time para vencer a série B. Se nunca é bom perder, será que dá para acreditar que uma direção que comete sucessivos erros e nunca faz autocrítica vai reformular sua conduta em razão da derrota? Pago para ver.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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