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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Perspectivas para 2017


Finda mais um ano durante o qual o Coritiba só teve forças para lutar contra o rebaixamento no campeonato brasileiro, salvando-se por apenas três pontos. E se essa sina nos persegue há quatro anos, nos dois últimos acrescemos outra, a perda do campeonato estadual de forma bisonha em ambas as ocasiões.

Embora todos torçamos para que 2017 seja um ano melhor para o Coritiba, confesso que tenho muito medo de que se o modo da administração do clube quanto ao futebol não vier a evoluir vamos passar mais uma temporada colecionando fracassos. Talvez ainda seja cedo para uma perspectiva, pois a temporada recém terminou, mas diante do que foi mostrado nos dois últimos anos e do elenco que até agora temos está difícil ser muito otimista.

Mantivemos o técnico, o que em princípio é bom pois ele se saiu razoavelmente no ano que finda e merece a chance de mostrar que com a continuidade o seu trabalho poderá ser positivo. Claro que para isso deverá abandonar as invenções na busca de autoafirmação.

Mas e o elenco?

Não renovamos o contrato do nosso melhor zagueiro, o Nery Bareiro, por alegadas questões salariais. É o pensar pequeno do Coritiba. Dispensou um dos três melhores jogadores do ano – ao lado do Wilson e do Kléber – quando com o afastamento de dois atletas que nada somam, João Paulo (ficou clara a melhora do time desde que saiu por lesão) e Carlinhos, por exemplo, o salário do Nery poderia ser pago. Sabemos que o Lucas Claro está indo embora, mas sua falta não será muito sentida, pois de todos os zagueiros que temos é o menos qualificado. E o que resta, além do Walisson Maia e do Juninho? Três meninos, Romércio, Geovane e Thalisson, que por enquanto são apenas apostas ou promessas. Cinco zagueiros no elenco, sendo que três recém saindo da base, é muito pouco para começar a formar uma boa defesa e um bom time.

Ainda falando sobre a defesa, temos dois alas bons, Dodô e Cezar Benitez, enquanto Emerson Conceição e Carlinhos são sem dúvida desqualificados para qualquer equipe da primeira divisão do futebol. São imprescindíveis contratações para os dois lados, sob pena de o técnico ser obrigado a improvisações.

Temos um bom goleiro, mas pouco sabemos da qualidade dos seus reservas. Um participou de parte de um jogo e foi para o departamento médico e o outro, Bruno, já mostrou que não merece a nossa confiança. Resta torcer para que os demais possam corresponder na eventualidade de falta do Wilson.

Na meia cancha perdemos o Raphael Veiga e tudo indica que perderemos o Juan (segundo diz o jornalista que sabe mais do Coritiba do que muitos dos nossos dirigentes), além do Amaral cujo empréstimo termina. Dentre os restantes, certeza de bom futebol só temos quanto ao Gonzales - mas não se pode saber quando contar com ele, pois é um jogador que se lesiona com facilidade - e o Alan Santos, este desde que jogue com seriedade. Dispensáveis, na minha ótica sem qualquer sombra de dúvida, João Paulo, Edinho, Fabio Braga, Bernardo, Ícaro e Felipe Amorim. A conferir os meninos da base Carvalho, Júlio Rusch, Kady e Yan Sasse (já teve oportunidades, mas ainda não dá para firmar convencimento). Como suficientes apenas para compor o grupo, mas não para titulares, Thiago Lopes e Ruy.

Dentre os atacantes, exceção feita ao Kléber e ao Neto Berola, alguns mostraram muita irregularidade na temporada – casos de Kazin, Iago e Leandro. Por outro lado, Vinícius, Ortega, Guilherme Parede e Evandro (parece que vai ser sempre uma promessa), poderiam ser dispensados. Aqui mais incógnitas em relação aos integrantes da base, Taylisson e Mosquito.


Enfim, amigos, por enquanto não podemos ter boas expectativas sobre o que apresentará o Coritiba em 2017. Dispensas e contratações são imprescindíveis, mas de concreto nada temos. Como a temporada recém acabou, vamos dar alguma tolerância para a diretoria mostrar que está trabalhando.

A atual administração só colecionou fracassos no futebol em seus dois primeiros anos de mandato. Certamente os dirigentes sabem e talvez sofram com isso e não irão querer transmitir os cargos para os futuros mandatários com balanço de três anos de insucesso no futebol.

Aguardemos melhores notícias.





Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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