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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Por que nossa base não frutifica?



Houve um tempo em que o Coritiba era pródigo em revelar jovens jogadores das suas categorias de base, os quais integravam o time principal por algum tempo e depois rendiam bons negócios para o clube.

Tivemos Rafinha, Henrique, Adriano e Miranda, todos com passagem pela seleção brasileira e agora em fase final de carreira. Claro que não esqueci do maior de todos, o Alex, lançado ainda piá no Coritiba, fazendo mais sucesso no país e no exterior, mas revelou-se nos anos 1990. Nos últimos anos revelamos apenas o Zé Rafael e Raphael Veiga. Ambos titulares no Palmeira e o último convocado para a seleção brasileira. E também o Igor Paixão, negociado para o exterior.

Há um bom tempo não temos mais revelado e aproveitado jogadores vindos das categorias de base, antes de negociá-los. Em 2021 imaginamos que uma nova e promissora safra estava chegando com o elenco que conquistou a Copa do Brasil sub-20.

Daquela equipe Rafael William foi alçado ao time principal e fracassou, sendo marcante o “frango” que aceitou em jogo contra o Fluminense. Natanhael já estava na equipe principal e para ela voltou, mas tem sido muito irregular. Thalisson Gabriel entrou em campo por apenas três vezes e foi emprestado ao Camboriú (série D), de onde voltou há pouco e ainda não se sabe como está. Marcio Silva foi outro que pouco jogou e logo foi emprestado. Ângelo nunca se firmou e foi cedido ao Brusque. Maicky nunca jogou no time principal e está no Taquaritinga, time inexpressivo do interior de São Paulo. Biel foi emprestado ao Novorizontino e Bernardo ao Guarany. Do Alec Gama, Douglas Silva e Iruan Soares nada mais se ouviu falar. O Luizão foi outro que entrou em poucos jogos e não confirmou as expectativas, sendo mandado para outro clube.

Restaram no elenco Natanhael, Thalisson Gabriel, Diogo Batista e Kaio Cesar, nenhum deles ainda se destacando e indicando que poderá ser uma revelação que dará bons frutos ao clube em campo e depois em boa negociação.

Thiago Dombroski pareceu ser uma promissora revelação, mas depois de poucos jogos está sendo negociado sem se esperar que antes auxiliasse o time na ingrata tarefa que está enfrentando, de modo a até se destacar mais, e então poder ser negociado por valor mais alto. Mas nós, os comuns mortais, não sabemos dos mistérios que rondam essas negociações.

Enquanto isso o clube vai contratando veteranos jogadores, sem vínculo afetivo com o Coritiba, alguns a peso de ouro, os quais dificilmente renderão finanças pois a maioria próxima do final de carreira. Se for citar os nomes desses ultrapasso o meu espaço na coluna.

Creio que está aí uma das razões do insucesso do Coritiba nos últimos anos, dentre tantas outras. O time não é renovado, jogadores entram e saem ao ponto de não haver memória que consiga registrar as tantas contratações dos últimos tempos, e raros são os que mostram gostar de jogar do nosso clube. Enquanto isso, outros clubes, em especial o nosso rival, revelam jovens talentos que estão dando retorno em campo e rendendo bem financeiramente.

Aliás, em se tornando o clube uma SAF não deveriam os “managers” buscar encontrar revelações para alcançar o sucesso no time e depois o objetivo de lucro dos investidores?



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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