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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Possível, mas muito improvável.


Na semana passada, quando escrevi aqui pedindo moderação e prudência aos torcedores e ao time, em razão do excessivo otimismo que se via nas redes sociais e em blogs, disse, com outras palavras, que uma vitória do Atlético sobre nós no primeiro atletiba não seria nada estranhável, tanto porque se tratava de um clássico, como porque há muito tempo não sofríamos derrota para eles (o que levava a que estatisticamente um mau resultado fosse provável), ou também porque temia que a euforia da torcida contaminasse aos jogadores e à comissão técnica.

Pois não sei se foi o excesso de otimismo, que para a soberba e arrogância tem uma linha tênue a separar, que nos levou à derrota ontem. Até penso que esse foi um fator menor. A verdade é que jogamos muito mal e a derrota foi induvidosamente justa. Não sei se o Atlético jogou bem por virtudes próprias ou pelas escancaradas deficiências do Coritiba, mas a verdade é que nos saímos tão mal que nem da arbitragem – aliás muito boa – podemos reclamar.

Pois bem, em atletiba todo resultado em tese é possível e estatisticamente estava perto da hora de perdermos, admitamos.

Mas precisava ser assim?!

Não é o caso de fazer terra arrasada e passar a dizer que o time é péssimo quando até a pouco dizíamos que é bom para o campeonato estadual. Continuo pensando assim, mas para o estadual, repito.

Mas, amigos, o que vimos ontem foi quase que a apresentação de um time contra um sparing que nem se defender soube.

Ninguém jogou bem. Não vou me estender a respeito, todos viram e muitos já escreveram e falaram a respeito. No contexto do fracasso há lugar para o técnico, também perdido e sem reação durante o jogo.

E quanto à disposição dos jogadores, o que dizer? Não sou dos que entendem que raça ganha jogo (se fosse assim bastaria montar o time com onze jovens torcedores apaixonados e com bom preparo físico). Sem técnica não adianta disposição. Mas sem técnica e sem disposição, aí é que não ganha mesmo. Os jogadores do Coritiba pareciam em estado catatônico, jogavam mal, perdiam disputas individuais e tomavam um gol atrás do outro sem a menor reação, pelo menos uma expressão no rosto que fosse. Estranho. O que terá havido?

Ainda é possível reverter o resultado e conquistar o título? Claro que em tese sim, mas é muito improvável. Respeito quem crê, mas não acredito em milagres. Se o time não jogar muito mais do que jogou ontem e ao mesmo tempo não mostrar disposição para ser campeão, talvez no máximo obtenha uma vitória magra que nos iludirá e permitirá dizer que caíamos com honra.

Ah, e se o milagre acontecer espero que a direção e a comissão técnica não se acomodem e pensem que o time é suficiente para as disputas nacionais.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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