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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Potencial desperdiçado.

Na edição de hoje a Gazeta do Povo publicou quadro do público presente nos estádios de futebol do Brasil, ranking no qual o Coritiba aparece em 17º lugar, com público total, como mandante, de 4.176.289, e média de 12.579 torcedores por jogo. Foram considerados somente jogos oficiais de todos os campeonatos regionais, nacionais e internacionais no período de 2008 a 2017.

À nossa frente, além dos grandes clubes do eixo RJ-SP-MG-RS se encontram clubes do Nordeste, mas nessa região sabidamente são praticados preços de ingresso muito acessíveis, até mesmo por R$ 10,00. Destoa o público médio do Itumbiara de GO, porém o número que o clube alcançou se deveu a ingressos subsidiados pela da Prefeitura Municipal da cidade. Não fosse isso, estaríamos em 12º lugar.

O nosso rival maior ficou em 19º lugar, com público total de 4.013.067 e média de 11.838 pagantes.

No ranking do mundo em torcedores presentes aos estádios estamos em 370º lugar e o rival maior em 384º

Claro que esses números devem ser ponderados com a situação pela qual cada clube passou no período da estatística, mas ainda assim eles nos favorecem.

Assim, o Atlético-PR ficou em 2012 na segunda divisão e em 2013 jogou muitas partidas em outros estádios por força da reforma estatal da Arena da Baixada, mas por outro lado em 2014 e 2017 participou da Copa Libertadores da América, torneio que é muito atrativo, sem contar que teve participações boas no campeonato brasileiro em outros anos.

Por sua vez o Coritiba esteve na segunda divisão em 2010, período em que foi obrigado a jogar praticamente metade do campeonato na cidade de Joinville, sempre com pequeno público. E afora os anos de 2011 e 2012 quando chegou às finais da Copa do Brasil, no campeonato nacional passou quase todo o tempo lutando contra o rebaixamento.

Pois agora eu chego onde queria.

O Coritiba tem um potencial desperdiçado, infelizmente, que é a sua torcida numerosa e fiel, na alegria e na dor. Há muito vivemos períodos difíceis, mas continuamos levando ao estádio mais torcedores do que os demais clubes locais (ia esquecendo, o Paraná ficou em 45º lugar).
Então como estaria o nosso clube no cenário nacional se as direções que se sucederam após os bons tempos de 2011/2012 tivessem aproveitado os bons momentos e alavancado o clube em lugar de aos poucos o levarem à decadência que vivemos?

Nenhum clube de futebol pode viver e crescer se não tiver uma numerosa torcida, fiel para comparecer aos jogos, se associar e comprar produtos oficiais. Pois o Coritiba tem, como mostram dados isentos. Apenas ela não é estimulada (e quando reclama é chamada de exigente ou até de chata) a participar do crescimento do clube.

Temos potencial, o que nos falta, então?

Penso que um misto entre pensar grande e audácia, claro que com responsabilidade. Seguir na linha da atual gestão de procurar diminuir o déficit crônico, mas não seguir na linha da mesma gestão ao não saber contratar jogadores e nem montar time, desperdiçando o mesmo dinheiro que economizou ali. Assim só marcamos passo.

Nos deem um time e a contrapartida da torcida virá. Os números estão aí.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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