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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Precisava ser assim?



Ninguém ganha todas e ninguém ganha sempre. Em qualquer atividade humana e menos ainda no futebol.

Por isso, embora com muito desgosto, às vezes temos que nos curvar às vitórias alheias e aceitar as nossas derrotas.

A história do futebol tem sido assim. O Coritiba, em cento e um (101) anos de campeonato paranaense conquistou trinta e sete (37) vezes o título, ou seja, a cada 2,73 anos o clube é campeão. Isso em um estado que tem três clubes fortes na capital e onde seguidamente clubes do interior se sagram campeões. Talvez o Paraná seja o estado no qual há mais divisão de títulos entre diversos times (15 diferentes, se não estou enganado) e no qual há mais conquistas por clubes do interior. Assim, o número de títulos estaduais nossos é invejável por qualquer clube brasileiro, seja em números absolutos ou em relativos.

Desta forma, ainda que nos momentos seguintes à derrota soframos muito, aos poucos não há como deixar de compreender que é assim mesmo no futebol, desde que se saiba tirar proveito da derrota como adiante abordo.

Mas, e aqui justifico o título da coluna, a derrota nas finais do campeonato precisava ser assim como foi?

Não poderíamos ter perdido o título de cabeça erguida, com derrota por placar apertado e reclamando talvez da sorte ou até da arbitragem e não da incompetência do nosso time? Era necessário que perdêssemos para o nosso maior rival de modo incontestável, sofrendo uma goleada no que se chama de placar agregado? Era necessário que o clube, que se presumia escaldado com o vexame de 2015 frente ao Operário, sofresse baque igual (igual numericamente, pois animicamente foi pior em razão do adversário?

O fracasso poderia ter sido menos amargo, quem sabe, mas talvez tenha sido melhor que tenha sido assim, pois do contrário talvez ficássemos iludidos. Pelo pelo menos os fatos escancararam as carências do time. Se o fracasso no campeonato estadual servir para reflexão e aceitação de que é preciso melhorar, e se houver decisões positivas do comando do clube, evitando repetir os erros dos últimos anos (quando se entendeu que havia elenco e técnico suficiente para um bom desempenho nos campeonatos estaduais e nem nestes nos saímos bem, quanto mais nas disputas nacionais nas quais quase só protagonizamos vexames), quem sabe foi melhor assim?

Às vezes, como diz a sabedoria popular, há males que vêm para o bem.

E também diz a sabedoria popular que errar é humano, mas persistir no erro é burrice.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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