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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Preço justo.

Com o preço dos ingressos a partir de R$ 15,00 por três jogos, vimos o Estádio Couto Pereira quase lotado, com 34.168 presentes, fato que mostra a força e potencial da nossa torcida.

A torcida do Coritiba realmente é que a não abandona. Time na série B, elenco mediano, sofrimentos e fracassos nos últimos anos e desconfiança com a direção, mas mesmo assim estádio lotado. Esse potencial tem que ser aproveitado pela direção do clube, especialmente em estratégias de marketing.

Mas infelizmente, embora a alegria e a força da torcida, o time não correspondeu.

Erros sucessivos de passes e raros chutes contra o gol adversário. Uma má jornada do Rodrigão, poderão dizer alguns. Mas não podemos ficar na dependência de um único jogador, que, se está começando bem no Coritiba, tem um histórico que mostra que perde o sucesso na medida em que os torneios avançam e merece ser ainda melhor observado. E ontem perdeu um pênalti, ação que resultou na manutenção do empate e a perda de dois pontos em casa. Pênalti, segundo um jornalista do Globo na década de 1970, é tão importante que deveria ser cobrado pelo presidente do clube (no nosso caso acho que não).

Penso que o Alan Costa mais uma vez foi bem, especialmente nas bolas altas, assim como o Diogo Mateus. Romércio irregular e o Fabiano novamente mostrando que precisamos com urgência de alguém para a ala esquerda.

Vítor Carvalho como sempre alternando bons e maus momentos e o Giovani desligado do jogo, parecendo não querer se comprometer. O jovem Luiz Henrique bem e a cada jogo parecendo progredir, mas o treinador precisa ver logo que o lugar do menino é na armação e não como volante.

No ataque ninguém se destacou, pelo contrário. Wellington Jr. alterna bons e maus momentos e parece não ver bem o jogo pelo modo como corre de cabeça baixa. Patrick Brey apenas regular, e sobre o Rodrigão já falei.

Mas tudo o que disse poderia ter sido superado se o time tivesse se conduzido com a demonstração da vontade e gana que a torcida presente mereceria, proceder que muitas vezes supre a carência técnica. Infelizmente não foi o que se viu.

Alguém disse, em comentário que ouvi em emissora de rádio, que não se pode desconsiderar que o Londrina é um time forte e por isso o resultado não teria sido tão mal. Bem, se nós vamos aceitar que diante de um time forte – como se a série B tivesse times "fortes" - o empate é aceitável, não chegaremos a lugar algum.

Por tudo isso, o preço reduzido dos ingressos acabou sendo justo, pois o futebol que o time apresentou não mereceria mais.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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