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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Qual será o time de 5ª feira, o de casa ou o de fora?

Qual será o time de quinta-feira?

Mais uma vez, como tem sido a tônica, o Coritiba fez uma excelente partida em casa e venceu uma equipe que vinha em franca ascensão. Aqui em Porto Alegre já se falava em Libertadores como certa, e o título, por que não?

Acertamos muito e erramos pouco. Léo Gago voltou a ser o Léo “velho de guerra”, a zaga e os laterais foram perfeitos (Roth bem que tentou explorar as fragilidades que às vezes o Jonas apresenta, mas se deu mal pois ele foi bem). Marcos Aurélio, embora ainda não tenha voltado a ser aquele que aprendemos a admirar, além do gol mostrou que melhorou, inclusive no quesito participação. E o melhor foi ver a técnica e a vontade com que Davi voltou. Esse de ontem é o Rei Davi a quem assim denominei em uma coluna e comparei ao Leocádio dos gloriosos anos 1970. Com a entrada do Davi, quando da volta do Rafinha, deu para o Evérton Costa, não tenho a menor dúvida, e voltaremos a ser aquele time rápido e envolvente.

Então, vamos aguardar quinta-feira. Entrará em campo a atitude e postura demonstrada ontem e em tantos outros jogos em casa, ou mostraremos exagerado respeito ao adversário e a timidez nos levará a mais uma derrota ou empate. O disco, como na analogia do colega Gibran, tocará seu lado A, ou seu lado B? Na bipolaridade até agora demonstrada, estaremos na fase de mania (no sentido psiquiátrico e no sentido positivo deste) ou de depressão?

Mais uma vez, como tantas vezes disse aqui, volto a acreditar. Espero com ansiedade.


Arrogância:

Ao final do jogo de ontem, ao ser questionado pela Rádio Gaúcha pelo soco que deu em Jonas, Marquinhos deu a seguinte declaração (o trecho é transcrição literal do áudio que pode ser buscado em www.clibrbs.com.br, clicando-se no link da emissora):
"Tem que avisar o Jonas que ele não ganhou nada ainda. Então ele tem que respeitar os outros. O jogo estava parado, o Davi estava caído, eu mandei ele jogar a bola para fora, e ele quis me dar um chapéu. Se ele acha que já é campeão da Copa do Brasil, avisa ele que o Vasco veio aqui foi campeão e fez a festa em cima dele. Questionado se acertou o atleta, respondeu: "Não, eu botei a mão dele, jogador brasileiro é muito malandro". Marquinhos disse ainda que não teme punição pela imagem. (Obs. A imprensa local está admitindo que foi agressão).

Vejam a arrogância. Primeiro, sua Excelência diz que “mandou” Jonas jogar a bola para fora, não sugeriu ou pediu ou, em linguagem simples não disse “pô cara, não está vendo o teu companheiro caído?”. Depois, vendo que o súdito, além de não lhe obedecer, lhe aplicou um “chapéu”, crime de lesa-majestade, tratou de puní-lo com um soco. Como todo vaidoso quando apanhado em falta, negou a evidência vista por todos – menos o pusilânime bandeirinha – e a televisão. Por outro lado, como se fosse um suíço ou um nórdico que por aqui passasse, afirmou que “o jogador brasileiro é muito malando”. Qual será a nacionalidade de sua Eminência, que tanta "ética" tem, já que se refere aos brasileiros como se fossem os outros? Por fim, tal como o Presidente do Senado, deve ter seu círculo de influência na Justiça Desportiva, pois “não teme punição pela imagem”. Se não for tão influente assim, e se o Leandro Donizete sofreu suspensão de um jogo por levantar demais o pé, qual será a justa proporção para punir o eminente personagem pela agressão que a televisão mostrou em vários ângulos?


A César o que é de César.

Na última coluna estreei uma seção denominada “O comentário do comentarista” eu citei, como um dos mais interessantes comentários à coluna anterior, o do “artigas_cfc”, que teria afirmado “O Alto da Glória será onde o Coritiba estiver!”. Logo em seguida “artigas_cfc”, de forma lisa e honesta se apressou em me comunicar que a frase não era dele, mas do nosso excelente colunista Marcos Popini. Realmente, em coluna postada dia 15 de maio de 2009, Popini encerrou seu sempre qualificado texto com aquela frase. Debito minha falha ao esquecimento, uma vez que há muitos anos leio todas as colunas do Popini. Aqui vai meu pedido público de desculpas ao Popini, bem como expressão de respeito ao “artigas_cfc” pelo procedimento.


O comentário do comentarista:

Da última coluna, “Dois pra lá, dois pra cá”, colho a opinião de “pmsouza”: “Dois pra lá, dois pra cá corresponde à antítese do pensamento de Theodore Roosevelt (presidente dos EUA no início do séc. XX): É muito melhor arriscar coisas grandiosas, alcançar triunfos e glórias, mesmo expondo-se a derrota, do que formar fila com os pobres de espírito que nem gozam muito nem sofrem muito, porque vivem nessa penumbra cinzenta que não conhece vitória nem derrota.”.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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