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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Quando o goleiro é o melhor do time.

Alex Muralha, quem diria, foi o melhor jogador do Coritiba no jogo de ontem contra o Cianorte, sendo o responsável indiscutível pela nossa vitória ao impedir, em várias ocasiões, que o adversário marcasse gols. Quem diria? Isso não significa que ele é um goleiro no qual possamos confiar para o futuro, a não ser que evolua e tenha outras exibições no mesmo nível, mas temos que lhe fazer justiça pela apresentação de ontem, quando realmente foi decisivo e nos salvou.

Quando o goleiro é o melhor do time em uma partida – e isso é quase uma obviedade – significa que a equipe não foi bem.

E o Coritiba realmente se saiu muito mal, jogou como se fosse ele o time pequeno, a se defender e destruir sem construir. Na segunda etapa a bola quase não ficou nos pés dos nossos jogadores, que se conduziram muito abaixo do esperado, e é difícil encontrar uma exceção, Henrique talvez.

Claro que há a atenuante decorrente do fato de que o elenco enfrentou uma longa viagem desde Pouso Alegre. De quinta-feira até ontem o elenco praticamente viveu na estrada e em aeroportos, como bem mostrou o Renê Simões em manifestações na imprensa. Mas será que o périplo justifica, por si só, tão fraca atuação do time? Parece-me que não é para tanto, uma vez que a fraqueza do time foi técnica e não física, pois não vimos ninguém se entregar ou pedir para sair por cansaço.

Duas observações para finalizar.

Tenho dúvidas sobre se o gol do Cianorte não teria sido válido. A bola foi tocada pela Castan antes de chegar ao atleta que voltava da posição de impedimento. Isso não tiraria a irregularidade? Mas como no futebol é como no cassino, onde a banca paga a recebe, no início do jogo a arbitragem não marcou um claro pênalti em nosso favor, de modo que, por via indireta – não acredito em compensação – fez-se justiça.

Uma palavrinha sobre o Bochecha. Talvez alguém pense que eu implico com ele, quando ele é que implica com a bola. Mas se há alguma implicância também a têm o narrador e o comentarista da TV Coxa Prime, que quase não falaram o nome do Bochecha durante a transmissão, Por que será? Não o estavam vendo em campo?

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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