Que Coritiba queremos?
Alguns talvez queriam parar a leitura por aqui pensando: lá vem o Rauen com saudosismo, quando não tem assunto fala nas glórias do passado.
O objetivo não é este, é mostrar diferenças para que, em conjunto com os comentários de vocês, possamos fazer autocrítica e indicar caminhos aos nossos dirigentes e atletas se a eles chegarem as nossas palavras (sei que para alguns chegam).
Aquele Coritiba, quem viveu sabe, tinha, antes de tudo, dirigentes idealistas (não que muitos dos atuais não sejam) e conhecedores do mundo do futebol (poucos dos atuais são) e em consequência de suas condutas os jogadores se mostravam comprometidos. Dirigentes que talvez aqui e ali agissem mal, mas que conheciam futebol ou, quando não, delegavam a quem conhecia o mundo da bola. Erravam contratações, como ocorre com todos, mas no mais das vezes acertavam, montando times que se mantinham por algumas temporadas e não com debandada ao final de cada ano. E,o que era fundamental,faziam com que os atletas gostassem de jogar no Coritiba, o que nos últimos tempos raramente se vê.
Lesões, dodóis, chinelinhos eram raros. Houve um tempo – só os bem mais velhos lembram – em que não eram permitidas substituições e não raros foram os casos de atletas que se mantiveram em campo mesmo lesionados tentando ajudar ao time (lá vai mais um saudosismo, em 1960, em jogo contra o Grêmio em Porto Alegre, o Chico, ponta direita, sofreu lesão e ficou em campo obrigando o lateral adversário, na dúvida, a pouco subir para o ataque). Claro que era um exagero, quase uma desumanidade, e seria demais exigir que assim continuasse. Mas hoje o contraste é muito grande, qualquer “desconforto” ou estresse psicológico deixa os atletas em repouso.
Ah, mas são outros tempos, dirão, hoje o mercado da bola é diferente, os jogadores – salvo raras exceções - só pensam em si próprios, no sucesso individual, sendo secundário o do clube. E em razão dessa conduta dos atletas, os dirigentes não têm o comando do vestiário e raramente conseguem se impor e motivá-los. Se um dirigente procura exercer autoridade e exigir comprometimento, é objeto de boicote como vimos em 2013.
Tudo bem,são outros tempos, mas precisa ser tão diferente assim do que era nos tempos áureos? Não podemos recriar a mentalidade que nos fez vencedores e principalmente respeitados em nível nacional e não somente estadual como agora? Quem sabe alguns começam uma revolução no clube, tanto administrativa como especialmente no futebol? Sem sucesso no futebol jamais há sucesso administrativo e financeiro, isso é de primária compreensão.
Já ocupei muito espaço. Aguardo a colaboração dos amigos leitores, não sem antes reproduzir mensagem que mandou para o mim o fiel coxa branca Luiz Donizeti Pinto, que tudo bem sintetiza: “O Coxa não atrai mais. Está muito claro que o time joga pela conveniência dos jogadores, não pela instituição e muito menos pela sua torcida. É um time frio, pálido e totalmente sem graça. Infelizmente, parece ser um figurante que ganha cachê por participar. Lamentável. Pior é ver que isso aí só tem mais 18 rodadas pela frente em 2017. É o que temos.”.
Voltarei ao tema.
Sobre o autor
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.
Sobre o blog
O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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