Logo COXAnautas

Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Queremos mais!?



Os clubes de futebol que disputam a série A do Campeonato Brasileiro têm, conforme suas forças, as seguintes metas em ordem crescente: manter-se na primeira divisão, conquistar uma vaga para a Copa Sulamericana, classificar-se para a Copa Libertadores da América e tornar-se campeão.

O Coritiba, embora o maior do Paraná, no cenário nacional por enquanto se classifica entre os médios, e domingo atingiu a marca de 45 pontos ganhos, número que, segundo os ditos “entendidos”, afasta o risco de rebaixamento. Estamos a treze pontos do líder e aos mesmos treze pontos do “menos pior” dentre os clubes que estão na zona de rebaixamento. Em outras palavras, campanha até agora apenas mediana. Flutuamos, em quase todo o campeonato, entre o 10º e o 12º lugares, entrando uma vez ou outra no 8º e nada mais.

Alcançamos, então, o menor dos objetivos pretendidos entre os clubes que disputam a elite do futebol brasileiro. Muito provavelmente nos classificaremos para a Copa SulAmericana do ano que vem, conquistando então o segundo objetivo em ordem crescente, mas muito (muito mesmo) dificilmente conseguiremos vaga na Copa Libertadores e é impossível pensar em conquista do título.

Isso é suficiente para o Coritiba que queremos? Considerando o caos que vivemos ao final de 2009 podemos então nos dar por satisfeitos, esperançosos de que em médio prazo - ou talvez longe, mas de modo firme - chegaremos mais longe? Ou considerando a excelente campanha do primeiro semestre estávamos autorizados a pretender mais e a classificação até aqui é decepcionante?

Bem, tudo depende da ótica com que miramos nosso clube e o momento.

Se queremos voltar a ser efetivamente protagonistas no campeonato – o que, desde o título de 1985 só aconteceu mesmo em 1998 e 2003 – certamente não podemos nos dar por satisfeitos. Manter-se na primeira divisão e classificar-se para a Copa SulAmericana nada mais é do que consolo, prêmio para os médios, do qual só ficam afastados os quatro rebaixados e os que quase o foram.

Mas, e se voltarmos ao que aconteceu há menos de dois anos?

Rebaixados, punidos, execrados pela mídia, humilhados, com dívidas, sem perspectiva de arrecadação e com a autoestima no chão reinava fundado receio de que seria mais fácil cair para a série C do que voltar tão cedo à elite, menos ainda no primeiro ano. Pensei, e muitos comigo, que acabaríamos nos tornando um equivalente ao Santa Cruz do Recife, com títulos regionais e a maior torcida do Estado, mas sem forças para alcançar a primeira divisão e recuperar respeito no cenário nacional.

Porém, contra todas as expectativas, nova liderança tomou as rédeas do clube, tratou de saneá-lo e equilibrá-lo e o resultado todos sabem: retorno á primeira divisão imediato, bicampeonato estadual invicto e por antecipação, recorde mundial de vitórias consecutivas e finalista da Copa do Brasil (esta, nunca é demais lembrar, praticamente jogada fora, mas isso é assunto já cimentado em inúmeras abordagens nos Coxanautas). Neste ano, enfim, um início deslumbrante e animador que levou o Brasil todo a nos olhar novamente com respeito.

Tudo isso, é claro, nos deixou com um gostinho de “quero mais”. Ficamos todos autorizados a pensar: vamos disputar os primeiros lugares da série A. Por que não, talvez o título? Autorizados, sonhamos, mas não conseguimos nem um e nem outro desses objetivos a não ser aqueles menores já expostos.

Então, o que conseguimos, foi muito, suficiente ou pouco?

Pois vamos colocar os sucessos e fracassos do ano na balança – considerada um daquelas antigas que tinham dois pratos – e não tenho dúvida de que o peso do sucesso é mais forte do que o do fracasso. Este, o fracasso, se resumiu à impossibilidade de ser campeão brasileiro – meta ambiciosa demais até para clubes com maior expressão do que nós – e a praticamente certa impossibilidade de disputar a Copa Libertadores da América no próximo ano, sem contar, é claro, a decepção pela perda da Copa do Brasil. Mas amigos, digo com convicção que o sucesso, pesadas e sopesadas as coisas, foi muito maior. Está ai o Coritiba refundado, firmado e confirmado como o primeiro e maior clube de futebol do Paraná, reconhecido mundialmente por um recorde extraordinário, respeitado no cenário futebolístico nacional, especialmente pela crônica esportiva, e se preparando com os pés no chão para crescer. Aos poucos, talvez, mas solidamente. Seria bom chegar mais longe já. Devemos sempre ter grandes metas e não nos satisfazer facilmente quando não as alcançamos, mas com lucidez e segurança posso dizer que, partindo de onde partimos não foi pouco o que alcançamos.

Parece um paradoxo, mas o raciocínio serve para demonstrar que o ano foi positivo: tanto recuperamos a autoestima e crescemos que não nos satisfazemos com o que alcançamos, alguns acham pouco. Não fosse assim, talvez estivéssemos apenas comemorando o fato de que nos manteremos na primeira divisão.

Nem todos podem concordar comigo e escolher outro ângulo a partir do qual querem olhar o Coritiba atual. Eu, ainda que também querendo mais e não aceitando que não se mirem alvos maiores, prefiro olhar para aquele Coritiba que foi refundado e voltou a ser respeitado. Quero mais, sim, mas penso que estamos no caminho. Ainda não temos elenco e nem comando técnico para grandes voos. Muito há que ser feito, mas há que se dar tempo ao tempo – ainda que o tempo do torcedor seja o da paixão – para crescer com solidez e não como um foguete que lá em cima espoca, brilha, mas em seguida se apaga e cai.

O comentário do comentarista:

O comentário escolhido dentre os lançados à minha última coluna, é o do ITASUCO, que afirmou : ”Mas reconheço nele uma virtude: nunca defendeu uma causa favorecendo o COXA em detrimento de seu time.”. Quem leu a coluna entende o pensamento do leitor.



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
Ver comentários (0)
Link copiado para a área de transferência