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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Repatriações.



Leio nas redes sociais comentários de alguns torcedores desejando o retorno ao Coritiba do Miranda e do Rafinha. No Instagram até pesquisa sobre o retorno do Sassá e do Rodrigão foi feita.

Nada mais equivocado.

Rafinha e Miranda não têm mais o que dar ao Coritiba, só a extrair. Assisti muitos jogos do lateral direito e claramente observei que jogava quando queria, certamente sendo um dos responsáveis pela queda do seu time para a segunda divisão. Além do mais, comenta-se que seria um desagregador de vestiário. Miranda, no São Paulo também não foi bem. Foram craques e jogadores de sucesso, mas chegaram aos seus limites. E ambos seriam um encargo financeiro acima das possibilidades do clube, cuja reestruturação passa muito por saber como e onde gastar.

Ah, mas o Henrique deu certo, talvez dirão alguns. Sem dúvida, a defesa do Coritiba se fortaleceu com o seu futebol e liderança. Mas certamente trata-se de uma exceção, confirmando o dito de que toda a regra a tem.

O Coritiba tem que olhar para a frente e saber buscar promessas e revelações. Medalhões e ex-jogadores não cabem em um clube que quer voltar a ser protagonista no futebol brasileiro, mas precisa andar sobre o fio da navalha quanto aos gastos. Miremo-nos no exemplo do rival, que sabe garimpar jogadores desconhecidos e com eles monta bons times e faz excelentes negócios.

Já tivemos contratações de “famosos” que pouco ou nada agregaram ao clube e daqui só levaram polpudos valores, como, por exemplo, Alecsandro e Ricardo Oliveira, e não podemos incorrer no mesmo erro se queremos um time forte e com atletas dedicados.

E essa história de que quer encerrar a carreira no seu clube de coração é uma bazófia. O Coritiba não é um posto do INSS para que jogadores queiram alcançar a aposentadoria. Se tinham mesmo esse desejo – o que duvido, dada a mercantilização do futebol moderno – que viessem antes, aceitando salários compatíveis com as nossas forças financeiras, e especialmente com dedicação ao clube que dizem ser do coração.

Vamos olhar para a frente. Tentar viver do passado muitas vezes só prejudica o futuro.



Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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