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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Retornando ao gramado.



Depois de uma longa pausa desde a confirmação da nossa manutenção na série A, passando pelo acompanhamento da Copa do Mundo, retorno ao convívio dos amigos e amigas Coxanautas.

Há muito e há pouco a dizer sobre o Coritiba de 2023.

As dispensas até agora feitas – talvez exceto a do Castan – entusiasmaram, uma vez que todos não mereciam mesmo lugar no time do Coritiba, alguns por deficiência técnica, outros por useiros e vezeiros do departamento médico e outros pelo peso da idade que não permite enfrentar o futebol moderno, onde a velocidade é quesito fundamental.

A troca do técnico foi um passo importante. Ainda que o lusitano não tenha um currículo forte, já mostrou bom serviço no rival e deve ser melhor do que o impassível Guto Ferreira. Vamos confiar.

Das contratações vejo com bons olhos a do Júnior Urso, que quando nos deixou apresentava bom futebol. Se o Andrey retornar com a mesma qualidade que mostrava antes da lesão, com o Bruno Gomes, o Jesus Trindade e o Júnior Urso poderemos ter um meio de campo mais qualificado. Aos que notaram que não inclui o Willian Farias, foi proposital. É um leão, luta como poucos e gosta do Coritiba, mas está se aproximando do seu ocaso (tanto quanto o Henrique) e não está à altura de disputa que enfrentaremos contra tantos clubes qualificados.Rodrigo Pinho e Victor Luís vêm cercados de boa expectativa e espero que a confirmem.

Falta-nos um goleiro reserva seguro, a não ser que um dos jovens – Marcão e Sidney – se mostre confiável. E a zaga penso que é o nosso maior problema. Sofremos 60 gols no campeonato passado, média de mais de 1,5 gols por jogo, foi a segunda defesa mais vazada. A qualificação do setor é urgente e fundamental, mais do que qualquer outro.

Estava começando a escrever sobre a falta de um meia – figura rara no atual futebol – quando chegou a notícia de que contratamos Marcelino Moreno, camisa 10, vindo do Atlanta United, o que pouco diz, mas com passagem pelo Boca Juniors, o que diz muito. Confesso que nada sei sobre ele, mas deve ter sido uma boa aquisição. A confirmar.

O mesmo não posso dizer do Potker, cuja contratação no meu entender foi um erro. Acompanhei-o no Internacional e o que a crônica local dizia: um jogador muito veloz, tão veloz que passa da bola... No Avaí, em 27 jogos fez apenas 3 gols e deu 1 assistência, o que é muito pouco para o que queremos.

Enfim, aos poucos vamos montando um time, contando com a expectativa dos jovens que foram promovidos ao grupo principal e torcendo para que na “copinha” em andamento alguma revelação apareça. Certamente a direção está pesquisando o mercado para, dentro de nossas limitações financeiras, qualificar o time para que não seja novamente mero coadjuvante no campeonato nacional.

Temos um ano importante pela frente. Ou o Coritiba se mantém como clube que apenas almeja ficar na elite, ou procura ser protagonista disputando mais do que evitar o descenso.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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