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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Robson e Gabriel.

Quando do jogo contra o Fortaleza escrevi coluna com o mesmo título desta, apenas com os nomes invertidos, responsabilizando pela derrota o arqueiro, pelo frango que tomou, e o atacante, pelo pênalti que cometeu e o que chutou para fora.

Ontem, na boa vitória contra o Internacional, foram novamente eles os destaques.

O goleiro, negativamente em razão do “golpe de vista” ou coisa que o valha no segundo gol dos colorados, lance bizarro e que ficará marcado.

E o segundo, de quem sou crítico contumaz, pois não vejo qualificação para jogar em time de série A, pela superação que mostrou, desta vez não ficando somente nas inúteis brigas pela bola, mas sendo efetivo. Sua atuação não ficou marcada somente pelos dois pênaltis que converteu, mas pelo que sofreu e pelo preciso cruzamento que deu para o Bianqui marcar o nosso segundo gol. Dito isso, embora ainda mantenha juízo crítico sobre o Robson, ele merece ser considerado o destaque do jogo de ontem.

Saíram-se muito bem igualmente o Bruno Gomes e o Sebastian Gomes.

Mas merece destaque negativo também o Reynaldo que cometeu um pênalti totalmente desnecessário, quando a bola estava dominada pelos defensores do Coritiba, sem risco. Aqui, um parêntese, a entrada do zagueiro em lugar de um atacante, quando o time estava com um jogador a mais, demonstra não só erro do treinador, mas também o seu modo de pensar pequeno em querer garantir resultado, tal como fez no jogo contra o Santos.

E o Fransergio, o que dizer? É inexplicável a conduta do treinador em usá-lo sem pelo menos tentar a opção do Andrey, que certamente não pode ser tão ruim. Há algo nos subterrâneos que nossa vã imaginação não alcança.

Mas enfim, descontados os erros a atuação do Coritiba foi boa, e somente não venceu por mais por detalhes, quis sejam a perda do quinto gol e a já citada falha do goleiro. De qualquer modo, um jogo que ficará na história não só pela quebra do tabu de não vencer o Internacional no Beira-Rio desde 2002, mas especialmente pela construção do placar.


A epopeia farroupilha continuará na quarta contra o Grêmio, atualmente melhor do que o Inter e com bom histórico de vitórias fora de casa. Vamos confiar no nosso time, não está morto quem peleia, quem sabe pelo menos nos encaminhemos para o final do campeonato de modo digno, ainda que com a perspectiva 99% certa de rebaixamento.

Não posse encerrar sem comentar a reação de perplexidade dos colorados que imaginavam que nos aplicaria uma goleada tal como fizeram contra o Santos. Está até divertido acompanhar a frustração deles.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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