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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Sandália e salto alto.


A torcida do Coritiba está eufórica com o momento do time, ainda mais depois dos elogios feitos pelos qualificados comentaristas do programa “Bem, amigos”, especialmente o Muricy Ramalho, técnico vencedor e conhecedor profundo do futebol. Quem não assistiu veja aqui.

Sem dúvida o time está bem engrenado, individual e taticamente, vivendo um momento só comparável, nos últimos tempos, ao de 2011. A equipe tem potencial para manter um bom rendimento neste campeonato. Elenco bem formado, com uma ou outra carência a ser suprida, comissão técnica que parece segura e direção do departamento de futebol atenta e até agora feliz nas contratações. A torcida, que desde 2012 até o ano passado vivia de soma de fracassos, nem alcançando o título estadual, deve mesmo ficar alegre, o que se vê nas redes sociais e é confirmado pelo significativo número de novos associados.

Porém – ai, porém, diz a música – não podemos nos esquecer que estamos no começo do campeonato e é cedo para muita euforia, estado de alma que a rigor significa sensação de bem-estar nem sempre com apoio na realidade.

A vida futebolística, sabem bem os que dela participam há muito tempo, traz momentos e momentos. Em 2013, iniciamos o campeonato nacional tal como agora, mantendo-nos por várias rodadas invictos e beliscando de vez em quando a liderança, para terminar nos contentando tão somente com o não rebaixamento. No ano passado, nas primeiras rodadas do campeonato nacional o Santa Cruz chegou a liderar e terminou o ano rebaixado.

Assim, prudência nunca é demais.

O conselho por prudência não significa reconhecimento de medo ou de inferioridade e nem apequenamento. Não, a recomendação é para que a equipe e a comissão técnica lembrem de que futebol é um esporte dinâmico e que é muito importante que o grupo conheça os seus limites para evitar decepções. Mesmo que façamos uma boa ou ótima campanha – o que espero e acredito – nem sempre venceremos, isso é uma obviedade. Importante será manter regularidade. Se a amostra das três primeiras rodadas se confirmar, ótimo. Se não, que se saiba tirar proveito dos tropeços que certamente acontecerão aqui e ali, para recuperação e avançar com segurança. E ter sempre em mente que cada jogo deve ser encarado como o mais importante do ano, seja o adversário um clube milionário ou um recém vindo da segunda divisão.

Assim, usando a analogia que o pensamento popular ensina, nem o salto alto da arrogância e nem o excesso de humildade da sandália. Vamos calçar um sapato firme, com solado grosso, e com ele caminhar com segurança.


Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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