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Bola de Couro
Bola de CouroFelipe Rauen

Seis pontos. Dois erros.

Uma boa jogada em cima de um erro é que leva a acontecerem gols e permite ao time que mais acertou e que menos errou sair vitorioso. Na maioria das vezes, mas nem sempre, pois seguidamente alcançam vitórias times que são favorecidos por lance de sorte ou por erros de arbitragem ou ainda que jogam “por uma bola” e a conseguem. Mas mesmo que o time não se mostre melhor na partida, não tenha sorte e nem seja favorecido pela arbitragem pode vir ser vitorioso se o adversário cometer erros decisivos que definam o resultado. Um pouco acaciano, não?

Errar, portanto, é normal no futebol e a história está cheia deles.

Porém, é aqui que eu queria chegar, para erros capitais e decisivos, tais como os que ocorreram no último jogo, há um limite para a razoabilidade e aceitação, nem tanto pelos falhas propriamente ditas, mas principalmente pelo momento em que ocorreram.

Contra o Internacional o Coritiba fez uma partida segura, mostrando que sob o comando do Capergiani é possível um bom desempenho, mesmo que ele venha sendo obrigado a escalar um time a cada jogo por força de lesões e suspensões.

Mas em se tratando de jogo muito difícil e decisivo contra o Internacional – o jogo de seis pontos de que tanto falam – não se pode aceitar ver um atleta experiente como o Juan cobrar mal (não pessimamente, o goleiro adversário teve méritos) um pênalti que definiria o resultado, pois se bem concluído o lance o estado de ânimo do Internacional seria o de depressão profunda e os minutos finais passariam com tranquilidade para nós.

Porém, parece que não satisfeito com um erro decisivo do companheiro, o Lucas Claro, como se fosse um juvenil pela primeira vez em campo, foi imprudente ao colar o seu corpo ao do Valdívia, que espertamente se jogou e conseguiu o pênalti que o Internacional soube aproveitar. A propósito do pênalti, vejam aqui o que disseram o Valdívia e um comentarista de arbitragem da imprensa gaúcha sobre como foi obtido.

Foram dois erros que acontecem no futebol, não foram gravíssimos, nada têm de extraordinário e grandes jogadores já os cometeram. O problema é que em razão da importância do jogo, da boa apresentação do Coritiba e do nervosismo que tomava conta do Internacional não poderiam ter acontecido. O momento não permitia erros.

Mas agora infelizmente Inês é morta. Como dizem os jogadores, vamos partir para outra. Penso que se o time mantiver o padrão de jogo que está apresentando e se houver mais seriedade para que erros individuais decisivos como os de ontem não aconteçam, logo voltaremos a respirar aliviados e quem sabe ocupar um lugar honroso na tabela.

Sobre o autor

Felipe Rauen
Benedito Felipe Rauen Filho, conhecido como Felipe Rauen, é coxa-branca de terceira geração, pois tanto seu avô como seu pai também o eram. Em parte da infância e da juventude morou na rua Maria Clara, a cem metros do estádio do Coritiba, do qual desde casa sentia o "cheiro".

Transferiu residência para o Rio Grande do Sul em 1976, onde iniciou carreira como Juiz de Direito, hoje aposentado. Está aculturado naquele Estado em vários aspectos, mas jamais no futebol, pois não adotou time local e torce somente para o Coritiba. É conhecido em todos os círculos que frequenta em terras gaúchas como coxa-branca, conseguindo que inúmeros amigos gremistas e colorados tenham o Coritiba como segundo time ou pelo menos mostrem por ele simpatia. Em 2009 se tornou Cônsul do Coritiba em Porto Alegre, permanecendo por vários anos. Cardiopata, dá trabalho regular ao cardiologista em razão das emoções vividas com e pelo Coritiba, mas tem certeza de que o coração coxa-branca se manterá forte ainda muito tempo para ver o clube alcançar mais e mais glórias.

Sobre o blog

O nome “Bola de Couro” serve para revelar a geração do autor, que acompanha o Coritiba desde o tempo em que elas eram efetivamente de couro natural, e não sintéticas como hoje. Além de estar atento ao futebol moderno, especialmente graças à tecnologia que tornou o mundo uma aldeia global, o blog de vez em quando trará algumas reminiscências das tantas glórias de que o Coritiba é coberto e que estão mais na memória de cada um do que em imagens físicas, atendendo também a um nicho da “velha-guarda” de Coxanautas que se manifestou desde a primeira coluna do autor. Mas todos, de qualquer geração, serão bem-vindos a colaborar e criticar em espaço que se pretende democrático.
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